Curtir saberes: Gilberto Freyre

Caro João da Mata e demais amigos:

Considero Gilberto Freyre um estilista da língua, já o disse antes. Fico preocupado com a definição de sua Sociologia como “impressionista”, adjetivo que costuma designar imprecisão e subjetivismo, o avesso do bom método científico.
“Casa Grande & Senzala” arrola bibliografia analítica muito extensa, além de diversificada documentação – tópico de pesquisa histórico-antropológica muito renovado por seu autor. Não encaro as falas sobre erotismo como impressionistas e sim como nova atenção antropológica, de um pesquisador treinado na Universidade de Columbia no tempo de Franz Boas. Sim, as falas sobre dimensões de pênis são fantasiosas e baseadas em preconceitos de cronistas coloniais (não consta que mensuraram os pênis de diferentes raças em estado de ereção). Mas considerar a libido como parte da experiência social não é fantasia, é maneira de pensar a sociedade.

“Sobrados e mocambos”, que alguns estudiosos consideram ainda mais importante que o título anterior, fala sobre facetas da vida cotidiana (higiene, técnica, abastecimento) que a pesquisa histórica européia mal começava a explorar. Os franceses admiram os livros de Gilberto não por exotismo mas por motivos classicamente metodológicos.
Nada disso diminui o prazer do texto, é claro. O rigor metodológico específico faz parte desse prazer, como acontece, atrvés de caminhos muito diferentes, em Lucien Febvre e Michel Foucault.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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