Da Complexidade

Ou a poesia da Física

Muito se falou da palestra do Edgar Morin e de sua repercussão “pop” assistida por milhares de pessoas no ultimo dia 17 de setembro no anfiteatro da UFRN.

Pouco ouvi falar do seu conteúdo e pertinência para conhecimento do mundo moderno. Não assisti a palestra e, por isso mesmo, não vou comentá-la.

Gostaria assim mesmo de aproveitar o ensejo para tecer alguns rápidos comentários sobre a complexidade.

Os fenômenos naturais, os sistemas biológicos e comportamentais da bolsa de valores são altamente complexos. A física vem tratando com fenômenos complexos e não lineares desde o final do século XX. Uma revolução iniciada por Poincaré que foi continuada por Birkhoff, Kolmogorov, Smale e outros.

Os fractais, a caminhada do bêbedo ( Randon Walk ), a teoria do caos fazem parte desse grupo de fenômenos não-lineares. Uma característica desses fenômenos é a governabilidade por uma lei de escala ou de potencia. Os fractais – do latim fractus – do verbo frangere – que significa quebrar. Fração, quebrado, é um objeto que tem uma dimensão fracionária. Todo objeto que apresenta auto-similaridade sobre vários graus de ampliação é um fractal. Possuindo simetria por mudança de escala, com cada pequena parte do objeto repetindo a estrutura do todo. Numa pequena folha de samambaia estar o todo. A Geometria fractal tem aplicações na Ciência, Tecnologia e Arte gerada por computador.

A física já foi utilizada para estudar o comportamento da bolsa de valores numa área que nos últimos tempos tem se desenvolvido bastante – “a econofísica”.

Um dos aspectos que se observa nesses novos fenômenos é o comportamento caótico determinístico que pode ser observado em sistemas com pelos menos três graus de liberdade. Esses sistemas caóticos são extremamente sensíveis ás condições inicias. O estudo das rotas possíveis para o caos tem suas raízes no estudo de equações diferenciais determinísticas (teoria de bifurcação) e constitui a chamada teoria da geometria do caos.

Muitos fenômenos da natureza são críticos. Ou seja, são sistemas longe das condições de equilíbrio, em processos de memórias longas. Fenômenos naturais como os terremotos, formação de nuvens e outros são altamente complexos.

Ruído Branco

A presença do ruído é um dos maiores quebra cabeças da física contemporânea. Desde as primeiras observações realizadas por Johnson, processos de memória longa com termos longos de correlação têm sidos observados em muitos sistemas da física, tecnologia, biologia, astrofísica, geofísica e sociologia. Recentemente também foi descoberto ruído branco no conhecimento humano e na distribuição dos números primos. O ruído branco é um tipo de ruído que é produzido pela combinação de todas as freqüências de sons juntas. Seu nome deriva da analogia com a luz branca, que é uma combinação de todas as cores.

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Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Nicolau 27 de setembro de 2010 22:16

    Estudei esse fenômeno do “caminhante aleatório” na formação dos Halos de matéria escura (envoltórios das galáxias) como o fator estatístico da função de massa de Press-Schechter… eram horas de simulação no computador para obter umas Gaussianas. É uma área da ciência muito bonita e ampla, envolve todo o Universo, do micro ao macro. 🙂

    • Tácito Costa 27 de setembro de 2010 22:21

      O nosso querido webdesigner Nicolau não nega que foi aluno do mestre João da Mata lá pelas engenharias da UFRN. O diálogo aí é elevado demais. Tô fora!

  2. João da Mata 27 de setembro de 2010 19:55

    Grande Pablo

    Com Pitágoras a lei das cordas vibrantes

    Com Pitágoras o numero, princípio de tudo.

    Com pitágoras uma seita

    Esse rúido branco , meu amigo

    Me deu trabalho para entender. Tive que estudá-lo no meu exame de qualificaçao. É fantstastico. E vê como se encaixa no mundo moderno. No que fazemos eu e voce .

  3. Pablo Capistrano 27 de setembro de 2010 18:59

    Caro amigo João, não entendo muito de complexidade e nunca li Morin, mas é muito instigante essa ideia de uma descontinuídade no modo como construimos o mundo.

    Essa ideia de ruído branco me fez pensar em Pitágoras e a noção da música das esferas.

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