Da gente de fora e da gente de dentro do edital de ocupação do Zé Reeira

A máxima de que gosto não se discute tem lá um viés subjetivo. E se a subjetividade mora no gosto musical, então vira quase redundância.

Questionar o resultado do edital de ocupação do espaço cultural Ze Reeira é invadir o espaço flexível da subjetividade, do gosto pessoal.

Claro, há um parâmetro mínimo de qualidade, com pequena margem de erro para mais ou para menos, segundo o Datafolha. E no caso do edital, há critérios de escolha, também.

Imagina, então, se esse gosto pessoal for o de três músicos de reconhecida notoriedade. Partiram dos maestros Gilberto Cabral e Neemias Lopes e do gosto sofisticado de Flávio Freitas o decreto final para o edital.

E mais: e se também reconhecidos músicos inscreveram seu talento, mas pecaram na burocracia? Neemias Lopes disse hoje que o envio de material de apreciação foi pífio.

Em outras palavras, Neemias gostaria de receber CDs, DVDs com vídeos, performances, resposta do público nos shows, para ter ideia do que seria aprovado. E muitos inscritos enviaram fotos com integrantes da banda, apenas.

O critério do currículo ratifica a escolha dos selecionados. Realmente desconheço o trabalho da Laryssa Costa e fui apresentado à ótima música de João Paulo Gurgel (segue vídeo abaixo).

“Panelinha”? Se for, é uma panela com sopa sortida, com forró, MPB, blues, instrumental, ska, hip hop, regional… E se houvesse ou houver o tal “arrumadinho” nas escolhas, elas são legalmente irrefutáveis! De certo, nenhum parente dos músicos. Então, qual argumento? “Eu sou melhor que ele”?

É difícil para músicos experientes e também talentosos reconhecer a perda, ficar atrás de alguém que julga pior do que você, com menos história, etc. Mas é a tal questão: gosto não se discute. E os critérios precisam sem cumpridos!

Vejam esse vídeo. Achei a música desse jovem músico muito boa! Não é minha praia, mas é inegável a qualidade da canção. Talvez não tenha vasto currículo, mas ingressou com talento, cumpriu as exigências do edital e passou! Simples assim. Mas quem goste da complexidade. E aí, Freud que explique seu gosto musical.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Alex de Souza 19 de novembro de 2014 12:30

    Natal não tem ainda a cultura de editais. O pessoal precisa se acostumar e aprender a participar desse tipo de seleção. Edital não é carteirada.

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