Da mania de ser igual

Acabo de ler a terceira edição da revista Contexto – mais uma no mercado potiguar. Revista que de pouco ou quase nada acrescenta ao cidadão, já tão bombardeado de informações. É publicação igual a tantas outras, de variedades e sem aprofundamento em assunto algum. Mas eis que na última página, a boa e velha filosofia – mãe de todas as ciências – nos traz algo com que pensar em um dia atribulado.

O artigo do professor de filosofia da UFRN José Ramos Coelho, intitulado Dos Buracos ao Abismo, levanta uma questão interessante. Nada original, mas quando o tema é argumentado a partir de pensadores como Jung e observações De um professor capacitado, a coisa alcança outras dimensões. Uma frase reflete o teor do texto: “Nascemos originais e morremos como meras cópias”.

O professor ressalta um paradoxo presente na vida de cada um: de um lado, procuramos de forma criativa sermos únicos e especiais em meio a uma multidão de iguais. Por outro, cedemos facilmente à pressão social e aos apelos do consumismo – uma tendência à massificação e uniformização dos padrões comportamentais, de hábitos e pensamentos.

O mais bacana no texto são as soluções e apontamentos do professor para superar essa tendência alienante. Segundo José Ramos Coelho, o primeiro passo é perceber o quanto diariamente repetitivos e redundantes, escravos e prisioneiros dos padrões nós somos. O segundo passo, é ousar, fazer diferente. Essa tarefa seria mais difícil porque, segundo o professor, “temos a tendência à vida gregária, a procurarmos aquilo que os outros valorizam sem nenhum senso crítico ou reflexão”.

O melhor mesmo é o terceiro passo: “Finalmente, é preciso viver poeticamente. Soltar a imaginação, resgatar os próprios sonhos. Os poetas dão asas à imaginação e criam com a mente leve, livre e sem amarras. O nosso sonho é, desde os tempos imemoriais, voar como pássaros por entre os abismos”. E a pergunta final: “Se lhe parecer muito, que tal pelo menos a aventura de um rapel para conhecer os seus próprios abismos?”.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comments

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  1. andrea augusto 16 de Novembro de 2007 15:19

    Adorei esse texto, Sérgio!
    Não é fácil, mas não é impossível e acho que atingir o terceiro passo é quase o paraíso!

    bjimm
    angel

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