“Da minha janela de vidro”, de Ana Flor

Da minha janela de vidro
Vejo o universo infinito
Os pés sentem o frio do chão quebradiço
Debruçada sobre a minha janela
Com os pés cheios de gravidade
Os olhos repletos de luzes
E os ouvidos de claves
Admiro sonhos inalcançáveis
Não são sonhos o que vejo
Vejo o seu desejo
O espírito do universo aquietou-se em meu leito
Ao meu lado
Cansado
Reclamou de seus pensamentos desolados
Desfaleceu inabalado
Fechou os olhos
E mais nada sentiu
Senão a chuva no jardim de inverno
E dormiu

Imagem: reprodução do quadro “Woman in the Mirror“, de Paul Delvaux

Poeta, produtora audiovisual, música e atriz. [ Ver todos os artigos ]

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