Da noção de tempo, de Ray Bradbury e de uma missão em Marte

Cinco astronautas estão confinados em um prédio em fórmula de cúpula, no Havaí. É o que afirma esta matéria do Uol. Eles ficarão por lá oito meses como treinamento para uma missão à Marte, com seis meses de viagem até o planeta vermelho, mais cinco meses de estadia e outros seis de regresso à Terra. Esse tempo confinado será necessário para analisar possíveis alterações psicológicas decorrentes da solidão e do tempo. E isso me fez lembrar de uma passagem do livro As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury, que li recentemente, e que transcrevi abaixo. Achei poético:

“Qual seria o cheiro do tempo? Cheirava a poeira, a relógios e a pessoas. E se perguntasse qual seria o barulho do tempo, era como água correndo em uma caverna escura, vozes gritando, sujeira caindo pelas tampas de caixas vazias, e chuva. E indo ainda mais longe, qual seria a aparência do Tempo? O Tempo era com a neve pingando em silêncio em uma sala escura ou se parecia com um filme silencioso em um teatro antigo, cem bilhões de rostos caindo como aqueles balões de Ano Novo, caindo e caindo para o nada. Assim era o cheiro, a aparência e o som do Tempo.”

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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