Da Palumbo 2

Confesso que recebi a Palumbo 2 com receio. Tinha medo de tecer novas críticas, mesmo construtivas. Podia parecer intriga, ou sei lá. Nesse curto tempo como colunista de jornal e blogueiro percebi o quão raro são os que aceitam críticas seqüenciais. E não costumo adotar o silêncio ou omissão. Gosto de opinar, por dever profissional ou gosto pessoal. E digo sem medo da réplica: esse segundo número da Palumbo ficou uma beleza; de orgulhar qualquer leitor potiguar.

Sim, temos um produto de exportação para além dos pescados, frutas e minérios. Um produto literário, em terra de Cascudo e desbunde administrativo da nossa cultura. Uma publicação impressa de oito reais, mais valiosa do que 140 caracteres. Uma revista com poder de ascensão e certa garantia de regularidade. E o melhor: sem o cárcere do obscurantismo público. É iniciativa privada de literatos e jornalistas de primeira ordem, sem freios.

A liberdade de expressão e lados surge logo no primeiro texto. O jornalista Paulo Tarcísio Cavalcanti escreve artigo a respeito da “implosão” do aluizismo como quem acompanhou, registrou, anotou, sentiu e sabe transcrever a montagem do alicerce político responsável pela arquitetura dos fatos do tempo-hoje. As especulações, trançados políticos e coligações ficam mais claros a partir da contextualização dos acontecimentos históricos e políticos da província.

O talento de Adriano de Sousa ganha a voz do técnico Diá, eleito o homem do ano no futebol pelos diretores da revista. Perfil de uma página e uma falha para o leitor mais chato, quando repete por duas vezes a frase “não acredito nas escolinhas que existem aí. Lá o jogador é mais trabalhado taticamente, mas craque nasce mesmo é na pelada”, dita por Diá. Nada que comprometesse o texto, enriquecido pela foto do técnico, em postura severa, registrada por Ramon Marinho.

A matéria com a transexual Rebeca Glitter, funcionária(o) da Semtas, foi uma boa tirada da revista. Matéria diferente, curiosa e mais uma vez magistralmente bem escrita por Albimar Furtado. E só uma observação chata, mais uma vez: o Sousa, de Micarla, é com “S”.

A jornalista Michelle Ferret emprestou sua verve de jornalista cultural para pincelar um texto gostoso a respeito de um tema razoavelmente batido: a Dança do Ventre, a partir do trabalho da academia Tuareg, localizada em Ponta Negra.

O entrevistão de seis páginas com o jornalista e cronista (lá titularam como articulista, prefiro cronista) Vicente Serejo é de tirar o fôlego. Extensa e deliciosa, sobretudo para jornalistas mais iniciantes, como este blogueiro. Perguntou-se o essencial e mais algumas amenidades curiosas. E o entrevistado soube aproveitar cada pergunta. Uma entrevista elucidativa e reveladora, sobretudo do episódio da saída de Serejo do Diário de Natal.

A “peça” escrita por Marcius Cortez (o qual desconheço) é de-li-ci-o-sa (negócio gay..rs). Talvez o melhor texto da revista. Para depois abrir espaço para a matéria publicitária do Governo, ainda assim, oportuna, a respeito do Som da Mata, que segue firme em 2010 como dos projetos culturais mais bem sucedidos do Estado. E já anuncia Carlos Zens para este domingo e as próximas atrações.

O perfil escrito pela jornalista Dodora Guedes com o artista plástico e pesquisador Dorian Gray serviu para eu me certificar do que escrevi na última crítica a respeito do perfil escrito por Marize Castro. Neste de Dodora, também se vê muita descrição, opiniões pessoais, mas sem devaneios poéticos desnecessários. Observações muito bacanas que deixam entrever muito da personalidade e trejeitos do nosso artista-mor.

A matéria com Petit das Virgens, pensei eu, seria do jornalista Rodrigo Hammer. Explico: eu mesmo pautei o sujeito para escrever a matéria de cinco laudas pra “Ginga”. Tenho em mãos, portanto, uma ampliação mais detalhada desta única página publicada.

Na sessão seguinte, o educador Otto Santana escreve curto texto a respeito dos 100 anos da Diocese de Natal. Merecia um pouco mais, acredito.

Acho massa essa sessão de “10 perguntas a…”, desta vez com a abelhinha Eliana Lima. Também o “perfil fotográfico”, melhor agora com apenas uma página. Também com espaço de uma página veio o texto interessante e marcado pelo ineditismo: o primeiro livro sobre Luiz Gonzaga e o seu laço com Natal, escrito pelo pesquisador Kydelmir Dantas.

O ensaio de Dácio Galvão a respeito dos poemas eróticos de Nei Leandro de Castro é um primor. Coisa de quem entende do riscado.

O artigo de Carlos Fialho poderia ser mais um a tentar definir Natal e os natalenses. Mas vem importado de Madri e traz esse diferencial, além da construção de frases sempre bacana de Fialho.

Em seguida, Vicente Vitoriano, do qual já afirmei ser fã. O artista fala do trabalho do Guap. Critica interessante, mas inferior ao artigo da publicação anterior, na minha opinião, ao contrário do artigo de Sávio Hackradt, ligeiramente mais aprimorado.

A revista chega perto do fim com os quadrinhos de Brito, que aliás, participa de algumas ilustrações da revista e da charge inicial. Dá uma contribuição de qualidade e um tom mais informal à revista.

Na penúltima página, dois artigos na sessão Gente que Pensa, na minha opinião, sem muita valia. E a revista termina com o “menu” de livros e dicas literárias, com destaque para o Dossiê Político, do jornalista João Batista Machado.

Bom, para quem não leu, esse ai é o esqueleto da revista. Vale mesmo é a leitura e a opinião particular do leitor. Para este blogueiro, a revista conquistou, precocemente, a qualidade necessária a uma publicação respeitável, digna da capacidade dos editores e diagramadores.

Como se dizia com a Preá: vida longa à Palumbo!

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo