Da província inexpugnável – I

É que pensei um dia que a cidade marerrio era murada. Não percebi que a fortaleza fincada no vértice entre o rio e o mar era só ela. Estática. E não havia portais ou umbrais adiante das dunas. E pra que servia a fortaleza? Ora, se nem conseguiu nos defender dos corsários d’além mar, que ainda chegam, aos montes, perambulando nus e pálidos com nossas mulheres nas pontas negras dos arrecifes pontiguados. Havia muitas formas, portanto, de ingressar na cidade duneterna. O difícil, mesmo, era sair, escorrer. Percebi que teria que encontrar um caminho diferente para fugir do sol, enquanto havia água no meu embornal de couro trazido lá dos sertões que ainda nem sequer conhecia. Mas, havia um furo por onde a água escorria. Água doce ainda havia, mas estava do outro lado, lado oculto. Até hoje. Até hoje busco sair. Mas, houve uma poeta que tentou. Afogou-se em sonhos e sais.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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