Da querência de escrever

Ao ler hoje a Cena Urbana de Serejo senti uma cutilada no estômago. O cronista-mor deste Rio Grande de Poty escreveu sobre a arte e o ofício de escrever. O leitor mais atento e costumeiro deste espaço percebeu o hiato desde a minha última crônica. É que a selvageria dos dias tem me roubado lascas de tempo; as únicas que dispunha. Antes pudesse viver do ofício e afirmar de pronto como Clarice Lispector: “Escrevo porque respiro”. Ou mesmo o bom Serejo, na singela aptidão de “trocar palavras por margarina, feijão e pão”. Tenho trabalhado os três turnos em ritmo incessante. Bem sei dos tempos frios e dos ventos alísios que se aproximam para o refresco de agosto. Não me foge a imaginação uma Santa Rita parnasiana, sobretudo nestes tempos. É lá onde meus pensamentos vagueiam em gostosa ilusão de conforto.

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