Da Revista Palumbo

Li tudinho da revista. Pulei um ou outro parágrafo enfadonho. Nada demais. E agora desfio o pedido do professor Albimar de uma crítica rigorosa a respeito:

A começar pela capa. Soa charmosa, mas de pouco impacto visual; confusa, até. Já adota um formato moderno de poucas chamadas. Algumas revistas mais modernosas já usam apenas o título, pasmem. Outras, apenas o nome.

O editorial – provavelmente escrito por Osair Vasconcelos, editor geral – resume bem o propósito da publicação. Muito do conteúdo foi falado no lançamento. Osair é sempre bom com as palavras, escritas ou retóricas.

A matéria com a ex-primeira dama Aída Cortez é, sem pestanejar, o melhor da revista. Texto primoroso, objetivo, detalhado e humano. Albimar domina o assunto e o desfia como quer.

Sempre tive a certeza, quando subordinado a Albimar, Osair e Carlos Magno que nunca poderia reclamar: “Então faça melhor”, porque eles faziam. Era um saco isso. Mas por trás, havia um respeito, também. O que era um saco, também (rs).

A matéria das Casas de Cultura é claramente paga. E retrata um viés de publicação parciamente atrelada ao poder público. Nem de longe as Casas de Cultura são (ou estão) a maravilha descrita. Que o diga a de Macau, para citar um exemplo rápido.

Artigo interessante o de Carlão a respeito do Twitter. O assunto foi bem propositivo para uma edição de estreia. Idem o texto de Rubinho.

A entrevista com o empresário e produtor João Santana ficou demasiado longa para um assunto batido, exaurido pela mídia. Inclusive a local. Tudo bem, houve revelações inéditas. Mas nada que mudasse os rumos da discussão a respeito de quem foi Simonal.

Na contramão de outras críticas, achei interessante o “momento Caras” da revista. A sessão “10 perguntas a…” é bacana. A entrevistada não ajudou: respostas comportadas. Poderia ser mais polêmica.

A escolha da empresária Tereza Tinôco (minha prima!.rs) também poderia ter ficado mais interessante. Marize Castro alongou o texto. No jargão jornalístico, “encheu linguiça”. Lá pelo oitavo parágrafo a entrevistada teve voz.

Uma dica – permita-me – é mudar o papel da sessão fotográfica para o couchê. A fotografia perde qualidade de imagem em papel jornal. Fosse assim, Fernanda Tavares ficaria ainda mais bonita.

A coluna de Vicente Vitoriano ficou fantástica. Sempre lia suas observações no Diário de Natal. Esperava mais uma. Mas ele fez valer uma temática polêmica e um texto mais produzido para uma publicação mensal.

A entrevita com K-Ximbinho feita por Dácio é de quem entende do riscado. Curta, direto ao ponto. Também o artigo de Jorge Galvão, interessantíssimo.

O teatro veio bem representado pelo grupo Facetas, Mutretas e Outras Histórias. A matéria eu já conhecia – foi herdada da pendente Ginga, do amigo Chico Moreira Guedes. Um primor descritivo e de uma sensibilidade ímpar.

Sávio Hackrady, ao contrário de Vicente Vitoriano, entregou um texto com a boa qualidade dos seus artigos semanais, também publicados no DN.

Nas últimas páginas, quatro artigos. O de François Silvestre é digno de recorte, para guardar e ler no futuro. O de Jão Saraiva aborda questão discutida em bastidores e inédita no papel. Cláudia Gazola levanta o tema feminista, sem novidades. E o advogado Roberto Furtado escreveu um rascunho sobre a ditadura e o papel da OAB à época. Ainda busco uma razão para a publicação desse texto.

Mas faço aqui as vezes de advogado do diabo e reconheça a dificuldade de um editor rejeitar o texto enviado, por pura elegância. Sei como é. Aliás, tenho aprendido com a edição da Ginga.

Em resumo: é uma primeira edição aberta ao aprendizado, à melhora. Espero. Erros de datilografia não foram difíceis de encontrar. Coisa besta, mas imperdoável para uma publicação que se pretende no nível de uma Piauí. A começar pelo nome da poeta Marize Castro, escrito com “s”.

É uma publicação – como se imaginava antes – com enorme potencial para um projeto mais qualificado. E que valha o preço cobrado. Oito reais é caro, principalmente para a realidade local.

O misto de revista literária recheada com amenidades em momentos voltados à classe dondoca pode ser perigoso. Nem os literatos nem as dondocas podem se interessar, embora sejam públicos consumidores.

Ainda assim, acho cedo para críticas severas ou elogios exagerados. É só um primeiro número. Vamos ver no que dá. Torço pelo sucesso. Sou entusiasta dos projetos impressos. E hoje é dia comemorativo por aí: o plano Palumbo está todo esfuziante. É a província e seus ensaios de metrópole.

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