Da simplicidade das canoas

Quem afirma é Amyr Klink da genialidade presente na arquitetura das canoas e jangadas. O hoje experiente navegador começou a estudar a difícil arte náutica a partir da construção de pequenas embarcações até chegar ao mais complexo navio. E a grande descoberta de Amyr Klink pode ser transferida para um campo mais sombrio: o da vida. Depois de pesquisar, testar e se decepcionar muitas vezes, ele viu na simplicidade dos cascos das jangadas o segredo para um veleiro perfeito, leve como uma canoa e robusto como um cargueiro.

Para isso, experimentou alumínio, em vez do aço. Como mastro, também excluiu forquilhas, dobrados, entre outras parafernalhas metálicas e pesadas por um bambu. Viu também que um mastro, em vez de dois, basta. E para isso tudo demorou décadas até a conclusão do Paratii 2, seu veleiro oceânico. Também foi dessa maneira – a busca pela perfeição a partir do não-convencional e da simplicidade – a construção, depois de obstáculos vencidos, de um estaleiro próprio para barcos como os dele; para barcos de gente que acredita que pode fugir da tecnologia convencional para ser original e eficiente.

O que um pescador artesanal e sem instrução elaborou a partir do aprendizado rude advindo de gerações passadas, quase por impulso, Amyr Klink demorou alguns anos para aprender: que um casco de jangada é veloz, pode estacionar em qualquer banco de areia sem a precisão de poitas e equilibra-se com perfeição por não ter quilhas. Tudo isso são entraves enfrentados por velejadores de embarcações montadas a partir de convenções modernas. Amyr ousou, venceu e pode ensinar: pesquisa, determinação e coragem podem levar a um lugar que parece distante, mas está sempre ao lado: a simplicidade.

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