Da solidão mineral: as solidezes

solidez

Há muitos anos atrás, eu sentia e pensava exatamente assim:

“solidão mineral”
(Damata Costa).

Quando bem moça, criando sozinha os meu três filhos, olhava-os tão pequenos e eles só contavam comigo. Por tantas vezes, até chorei me sentindo solitária. Éramos quatro, mas eu me sentia na solidão, veja quanta bobagem minha.

Pensava como leio agora, este teu tão reflexivo texto.

Já fui muito solitária, desacreditada, discriminada, estas palavras todas e tolas das quais alguns nos veste sem saber das nossas almas.

E só hoje bem mais tarde, entendo e conheço pessoas que habitam, dormem e/ou “fazem” e continuam sós. Não se fazem companhia, não conversam, não se alegram e podem também estarem juntas sem se amarem. Assim vão comendo o tédio e definhando acompanhadas apenas.

Respeito a solidão dos outros, cada um tem uma, como dizemos por cá: cada caso é um caso.

Divagava, imaginando que a um certo tempo, a vida os levaria para bem longe e que eu seria de fato uma mulher solitária – rs….

Olha: penso e concordo que disseste algo que muito preciso e que sem isto não seria quem sou:

“Algumas pessoas procuram a solidão. Dizem que ela é necessária para se encontrar com ela mesma. Para criar. Para compreender a vida. Talvez seja essa solidão que o poeta procura.”

(Damata Costa).

Ter um pouco solidão é um conforto… É UM ABRIGO… Não dou não troco nem vendo a minha solidão. O homem precisa olhar-se na cara, precisa falar consigo, brigar consigo e se embriagar sem testemunhas. Vejas que a solidão também é parceira. Ela nos permite solidezes… E os seus benefícios. Mas teu texto mexeu com minhas lembranças de um tempo a sós comigo. Então, talvez, por tudo que a solidão traz de bom – pois não é só má – eu goste tanto de pensar Diógenes:

“Saia da frente do sol e pare de fazer sombra em mim. Não me tires o que não podes me dar.”

(Diógenes).

Tenho aqui na nossa casa SP um texto onde faço abordagem sobre a solidão.

**************
Sem medo da solidão
(Ednar Andrade).

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Ednar Andrade 24 de março de 2014 15:24

    Venoso!!

    *A solidão é como uma chuva.
    Ergue-se do mar ao encontro das noites;
    de planícies distantes e remotas
    sobe ao céu, que sempre a guarda.*

    Anchieta Rolim,pois não demores,camarada.

    Beijos!! 🙂

  2. Ednar Andrade 24 de março de 2014 15:16

    Sim.Percebo ,querido.

    Gosto de ler-te.Não tens a palavra vazia.

    Há sempre ganho e crescimento ao meu aprendizado.
    Assim como tu,sou uma incurável saudosista e amante do simples e da vida.Falar dos sentimentos me move e comove*também me inspira e ensina*

    Grata.

    Beijos!!

  3. DAMATA 23 de março de 2014 1:57

    lindo amiga Ednar. sei que percebestes do que falo. Beijos. Obrigado sempre

  4. Anchieta Rolim 23 de março de 2014 0:16

    Ednar, que belo texto minha amiga. Dan, quando voltar de pernambuco passo por aí para colocarmos os assuntos em dia. Ps.: Ednar, acho esse poema de Rilke muito massa! Inté…

    SOLIDÃO
    ( R. Rilke )

    A solidão é como uma chuva.
    Ergue-se do mar ao encontro das noites;
    de planícies distantes e remotas
    sobe ao céu, que sempre a guarda.
    E do céu tomba sobre a cidade.

    Cai como chuva nas horas ambíguas,
    quando todas as vielas se voltam para a manhã
    e quando os corpos, que nada encontraram,
    desiludidos e tristes se separam;
    e quando aqueles que se odeiam
    têm de dormir juntos na mesma cama:

    então, a solidão vai com os rios..

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