Dalva: de primeira grandeza

Caros amigos:

Se o exemplo do seriado sobre Maysa for levado em conta, o novo seriado sobre Dalva (e Herivelto) promete pesadelos para quem os respeita como músicos. Antecipando-me ao que vem, quero realçar a superioridade da cantora em relação ao compositor. Vi, na tv, uma entrevista de Herivelto, pouco antes de morrer, falando sobre as cantoras que ele teria “feito”: delírio, artistas recebem apoios, até ensinamentos, mas, no principal, SE FAZEM. Dalva tinha um bonita voz lírica, navegou num repertório irregular com grande segurança (parece o posterior Tim Maia: cantava letras boas com a maior força, tipo “Se o pneu furou / Acende o farol”). Conta-se que Villa Lobos usava gravações de Dalva em aulas de canto, como exemplos de agudos perfeitos. E os discos dela, além da beleza vocal, continham achados instrumentais ótimos de música popular que foram se perdendo depois: a sucessão de cordas e sopros na abertura do bolero “Que será” é de arrepiar.
Desgosto, no seriado sobre Maysa, do excesso de atenção dado a escândalos: bebida, amores frustrados (dava a impressão de que ela nunca estudara nem ensaiara na vida). Nesse sentido, o que Pery Ribeiro aponta como baixaria da Imprensa, na época, é feito hoje, retrospectivamente, pela tv.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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