Daniela Mercury e a união homoafetiva

Por Andréia Braz

Não consigo entender a reação de espanto de algumas pessoas em relação ao casamento de Daniela Mercury, que declarou publicamente seu amor e a felicidade dessa nova fase de sua vida. Ela publicou algumas fotos em seu Instagram e escreveu a seguinte legenda: “Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar”. Trata-se da jornalista Malu Verçosa, com quem a cantora está casada, como ela mesma faz questão de dizer em declaração ao seu novo amor.

Sinceramente não sei qual é a diferença entre estar casado com um homem ou uma mulher, pois o que realmente deveria importar seria a felicidade e a realização pessoal de cada um. Outra coisa: o que eu tenho a ver se alguém está se relacionando com uma pessoa do mesmo sexo? Isso muda em algum aspecto o meu sentimento por algum parente ou amigo que é homossexual, por exemplo? Isso faz uma pessoa ser melhor ou pior que as outras? Que direito tenho de julgar essa pessoa e afirmar que ela “não terá salvação eterna” ou que não merece ser feliz porque não está seguindo determinado padrão social?

Toda essa polêmica tem recheado as páginas das redes sociais muitas vezes com certos comentários infundados e maldosos publicados nos facebooks e twitters da vida. O tom de preconceito também não fica longe dessas declarações. É como se alguém precisasse se desculpar porque é feliz, porque é homossexual (ou bissexual, afinal, que importam os rótulos quando se trata de amor?). “O amor foge a dicionários e a regulamentos vários” (Drummond). Daniela e Malu formam um casal como outro qualquer, aceitem isso ou não, e portanto merecem ser felizes e divulgarem o que bem entenderem de sua vida afetiva.

Refletindo sobre tal polêmica, chego a me questionar se esse tipo de comportamento não seria um contrassenso. Não parece incoerente agir dessa forma em tempos de lutas diversas por igualdades de direitos? Para o Dr. Drauzio Varella[1], “negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social”. É preciso lembrar que questões relativas à sexualidade não se resumem à prática do ato sexual (é bastante comum associar a homoafetividade à prática de sexo com alguém do mesmo sexo, como se uma relação amorosa se baseasse apenas nesse critério). São questões mais profundas do que possa supor nossa vã filosofia. “A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados” (Drauzio Varella).


[1] “Violência contra homossexuais”. Disponível em: http://drauziovarella.com.br/sexualidade/violencia-contra-homossexuais/

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 16 de abril de 2013 6:59

    Seria legal que Lissa nos escrevesse diretamente.

  2. Daniel Moares 15 de abril de 2013 15:53

    Texto: Lissa Rocha Moraes
    19 anos estudante do curso de Direito.

    Me deparar nas redes sociais com algumas postagens, comentários, fotos e piadas, me faz pensar como nós, seres humanos, somos hipócritas, preconceituosos, competitivos, menos altruístas e sinceramente sem qualquer tipo de amor ao próximo. Se não concordamos com isso ou aquilo, somos homofóbicos, preconceituosos, ou temos a mente atrofiada. A liberdade de expressão e de opinião não mais existe, ali…ás a DITADURA já pode ser declarada no Brasil! Chegamos a um ponto onde cristãos são contra outros cristãos, religiosos são contra ateus, igrejas contra igrejas, pessoas contra pessoas. Estamos com mania de atacarmos uns aos outros, homem contra homem, o tempo de se precisar de outrem se foi, o ser humano precisa de si mesmo e fim de papo! Uns dizem que defendem a família, com princípios morais, o que fulano representa, há também aqueles que são a favor de um país de liberdade, na mais extensa interpretação da etimologia da palavra, de um país onde a família pode ser construída de qualquer maneira e que o tal fulano não representa… Cansei observar milhares de opiniões, dessas postagens, das piadas, cansei de ver indivíduos opinando, atacando e desrespeitando, quando, por outro lado, reivindica respeito para com suas escolhas, defendem seus princípios, clamam pela liberdade, pedem respeito, entretanto falam de uma forma hipócrita. Defendem, reivindicam, porém o AMOR parece cada vez mais longe. Um “Bom dia!” um sorriso, um abraço, tudo isso está bem longe! Estamos cheios de argumentos para os bons princípios, só ouvimos falar ou vemos postar frases que apoiam um país sem preconceitos, um país livre, mas as boas atitudes, a prática dos valores está escassa. Engraçado, sociedade cheia de paradoxos. Qual a dificuldade em falar sobre suas escolhas sem ter a necessidade de atacar o próximo? Porque não aceitar o outro, mesmo divergindo sobre suas escolhas? Tá na hora de atacar a si próprio, olhar para seu interior, lutar contra você mesmo, talvez assim faça alguma diferença… Sou contra muitas coisas, muitas opiniões, aqueles que me conhecem sabem muito bem a respeito das minhas opiniões já formadas, meus princípios, e sabem também sobre meu silêncio para determinados assuntos. Assuntos esses que não valem a pena serem expostos, pelo simples fato de que a sociedade é assim, uma sociedade que joga pedra, que julga, com o objetivo de atingir o que foi dito ou feito. A única coisa que sei é que aprendi o que é o AMOR, aprendi o que é amar, aprendi que acolher, que ajudar, que sorrir, é muito melhor que julgar, que apontar erros, e que atacar. MAIS AMOR, POR FAVOR!

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