Das culpas de cada um e de todos

Caro Marcos, eu poderia escolher uma análise (as linhas de análises sempre são muitas) buscando a velha separação ou dicotomia entre uma elite corrupta e amoral separada de um povo vítima etc, etc. Não foi esse o meu caminho. Mas sei muito bem onde leva esse discurso, que a meu ver serve também apenas a resistências e acomodações. Não busquei as exceções e sim a regra. Inclusive me fixei no porque de não termos anteparos. E claro, estou dando a minha opinião. Sei que existem pessoas e pessoas, mas as nossas práticas políticas e sociais ao longo da história são bem ruidosas e visíveis. E acho que esse tipo de discurso, separatista, lembra sempre os velhos esquemas que aprendemos entre o homem naturalmente bom rousseauniano ou o homem intrinsecamente mau de Hobbes. Ou ainda uma terceria via: o homem é ou se mostra aberto a caminhos. Não sou hegeliano nem sartriano (como diria Lacan sou mesmo é freudiano) mas defendo do último a responsabilidade sobre o que queremos, aqui no sentido coletivo. Sei também que colocar o povo como responsável em bloco, pode levar a um tipo de argumento que defende ditaduras, algo que o próprio Freud foi acusado (injustamente diga-se) por no final da vida ser pessimista em relação ao humano. Sei muito bem disso, Marcos. Mas muito bem mesmo. Minha linha no entanto foi buscar um outro nível de análise, mais fundo. Próximo do que Gustavo chamou de ontológico e eu diria não só isso, mas numa espécie de filogênese também. E até arriscaria dizer, quase numa linha religiosa (que acho que foi o que Gustavo captou), ainda mais por se tratar de um país que se diz católico, ou de tradições católicas. Repare o paradoxo ou hipocrisia. Mas já sei, o sincretismo é nosso, e estaria na nossa formação. Ok. A coisa se torna ainda mais grave. Mas parti do pressuposto de que pessoas esclarecidas (que é para quem escrevemos) não toleram mais corrupção. Ainda que tenha minhas dúvidas em se tratando de Brasil. Quanto a dizer que o povo não burla catracas ou se burla é por falta de recursos, ou se pessoas trocam votos por feirinhas, etc, ou se pessoas ditas esclarecidas votam em políticos para se beneficiar de cargos, sendo essas práticas diferentes das “arrudianas”, sinceramente deixo em aberto também para reflexão. Deixo mesmo. Mas a nossa prática política, social e cultural parece ser bem visível. Mas fica em aberto.

Abraços,

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