Das flores*

flores

Os homens homenageiam seus mortos, quando deveriam silenciar, pois, toda ausência é silenciosa.

Doam flores e dizem rezas, explanam ao vento inúteis lamentos. Não é descaso, nem descrença, tampouco invasão à dor alheia.

Todos os anos, pintam cemitérios, tumbas, ornam lápides, lustram quase a espelho uma casa onde ninguém mora: o túmulo.

Acredito nas flores e na alegria e nos sorrisos que os já mortos poderiam ter gozado. Precisaria ser “dia de finados” para doar flores, doar poesia, demonstrar sentimentos? Onde mora a saudade, longe deste dia no calendário? São perguntas que não calam. Dia de todos os santos, a morte causa santidade? Desperta amor?

Quantas vezes está ali ao lado a pessoa que hoje te faz chorar e jamais moveste os braços na direção de um abraço, jamais olhastes nos olhos para doar um pequeno gesto de gratidão, um elogio, uma carícia, apenas.

A vida é hoje, repito, repetirei tantas vezes quantas forem necessárias.

A vida é hoje. Não espere ver alguém sem vida, não espere ter saudade para doar gestos, sentimentos, amor, para quem já não pode receber.

Comments

There are 4 comments for this article
  1. eduardo gosson 3 de Novembro de 2013 21:31

    Belo texto!

  2. Lívio Oliveira 4 de Novembro de 2013 2:23

    Bonito.

  3. Anchieta Rolim 4 de Novembro de 2013 10:51

    Gostei, em minha opinião, essa é a mais pura verdade… E tem mais: As flores murcham…Um abração, Ednar!

  4. Jarbas Martins 4 de Novembro de 2013 11:20

    leve e dolorido como uma coroa de flores. parabéns,Ednar.

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