Das leis culturais e indelicadezas ‘despoetizadas’

As discussões a respeito da nova lei de incentivo à cultura pipocam no plano nacional e aqui permanece na mesma inércia. Pelo menos no tocante ao Estado, nos arredores da Fundação José Gugu.

Há alguns dias a Capitania das Artes anunciou mudanças quando da apresentação da renúncia fiscal da prefeitura para o Programa Djalma Maranhão. A impressão geral é de que as mudanças foram poucas. Achei o contrário e ontem tive uma boa prova disso.

Voltei à casa do escritor e poeta Raymundo de Sá, a qual falei mais abaixo. Raymundo teve um romance publicado pela Lei Djalma Maranhão há uns quatro anos e tem lutado para publicar o segundo.

Ele conseguiu o mais difícil. O livro não só foi aprovado pela Lei, como também recebeu patrocínio empresarial. Em parte. Dois hospitais da cidade bancariam o livro caso a lei eliminasse um entrave totalmente desnecessário e burocrático que a impedia de colaborar com projetos culturais aprovados pela lei.

Segundo a antiga Lei de Incentivo à Cultura Djalma Maranhão, agora chamada Programa Djalma Maranhão, caso algum dos acionistas ou sócios da empresa apresentasse pendência junto à prefeitura, estaria impedido de patrocinar qualquer projeto cultural pela lei.

Esse entrave era o impedimento do patrocínio do livro de Raymundo. Ontem eu disse a ele que este obstáculo havia sido eliminado há poucos dias. A alegria foi contagiante. A esposa ligou na mesma hora pra Funcarte pra confirmar e logo em seguida foi atrás dos hospitais para contar a novidade.

Espero que Raymundo consiga emplacar este segundo livro, intitulado As Rosas dos Dias Três. É o segundo de uma trilogia. O terceiro já está o prelo. O primeiro foi Potyra, a qual vou ler este fim de semana e depois comento.

Raymundo teve cinco poemas inseridos numa antologia editada em Portugal. Foi o único potiguar e talvez nordestino a conseguir o feito. A poesia dele é refinada; de um apelo sentimental fortíssimo.

E para atestar o que falo quanto à poesia, de que o mais vale a penetração das palavras e frases do que a técnica, a poeta Marize Castro renegou – grosseiramente – o envio do livro de poemas de Raymundo – aprovado em Portugal – para ser aprovado na Fundação José Gugu.

Li o ofício respondido pela poeta. Foi de uma indelicadeza sem tamanho. Ela que integra a Comissão de Literatura da FJG. A frase mais amena dizia que a obra nada representava para a literatura potiguar.

É esta a porta que os bons ou maus poetas encontram na FJG. Não bastasse a dificuldade de aprovação, de busca de patrocínio, ainda esbarra em palavras no mínimo desestimulantes como as da poeta, admirada pelo próprio Raymundo.

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