De colecionadores e suas obsessões

O colecionador quase sempre é um sujeito metódico. Algumas síndromes são potencializadas. Por vezes o colecionador é um psicopata como no filme “o colecionador” de William Wyler protagonizado por Freddy. Um rapaz solitário que coleciona borboletas e aprisiona uma bela estudante de arte. Excelente filme com roteiro adaptado do livro homônimo de John Fowles.

O colecionismo pode transformar hábitos e vidas. A escolha da coleção nem sempre é voluntária e tem várias MOTIVAÇÕES. Um amor, uma paquera, um amigo, um motivo de estudo e prazer. Tudo é motivo para uma coleção. Álbum de figurinhas de jogadores de futebol ou de Ben- Hur. Selos e Postais antigos. Creio que a motivação algumas vezes possa ser a superação de algo. Algum trauma psicológico ou não. Gosto das histórias de colecionadores e por isso frequento as feiras de artes e antiguidades. São lugares onde aprendemos muito com os objetos antigos e seus fantásticos colecionadores. Algumas coleções são valiosíssimas e compartilhadas por um seleto grupo. Colecionadores de moedas e objetos de ouro. Armas de fogo e relógios. Outros colecionam moedas antigas e selos. O mínimo defeito é percebido com uma lupa. Alguns não conseguindo o objeto de desejo, roubam. Trocam por outro de menor valor. Histórias de colecionadores são enredos de muitos livros policiais e outros. Mortes acontecem por uma primeira e única edição. Outros escodem a sua obsessão das mulheres. Alugam casas para abrigar suas coleções. Colecionam revistas e livros que nunca vão ler. Para o meu colega Mindlin a sua indisciplinada coleção era uma loucura sã. A coleção por vezes domina o cidadão e a vida fica refém de uma coleção que domina a casa e o tempo que podia dispensar a familia. Algumas viúvas livram-se rapidamente da coleção do marido.

Tudo o que você faz paga aqui diz um vociferante velho colecionador. Se não for você, sofre seu filho, um neto ou parente.

Posso também ajudar na coleção do filho de uma amiga. Passar a vida inteira amargurado pela falta de um item. Colecionar recortes de jornais numa hemeroteca. Colecionar livros sem lê-los. Colecionar carros e motos antigas. A coleção de relógios antigos é um ramo especial e charmoso. Gosto dos relógios Olho de Boi e Maracanã. Tambem são charmosos os de algibeira. Adorei também aquele prateado com as caravelas. Os relógios de parede em oito. E os belos carrilhões tudo é motivo de fascínio. Os colecionadores são guardiães da história e muitos objetos e documentos foram salvos por eles.

O bibliófilo é um colecionador erudito de livros e um hobby caríssimo. Posso ser um colecionador sem ser um bibliófilo. Muitos confundem uma coisa com outra. Posso também colecionar santos sem ser religioso. Colecionar mulheres sem amar. Prende-las como fez o colecionador de borboletas. Alguns colecionam horas e tédios. Outros: dissabores.

O motivo nem sempre é objetivo, pode ser uma falta. Um complemento para a vida que espalha. Um sentimento de pertencimento. Alguns religiosos trocam santos por um carro. As igrejas ficaram vulneráveis aos ladrões de obras sacras.

A coleção pode ser motivo de estudos e diz muito da personalidade do colecionador. Da relação com o outro e com a vida que eu escolho para viver. O colecionismo é matéria extremamente rica e pode ser motivo para estudos nas mais diversas áreas das ciências humanas.

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Maria Aparecida Anunciata bacci 13 de Junho de 2017 10:48

    Texto muito interessante, alguns colecionadores merecem ser estudados dado aos seus objetos de desejo e sua compulsividade, no entanto outros devem ser muito repeitados pois sem eles hoje não teríamos a disposição muitas relíquias e preciosidades estariam perdidas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP