De como a Cientec e a FliQ Natal podem mudar o mundo

Detesto Bancos, mas a propaganda do Itau realmente é propositiva: “Leia para uma criança e mude o mundo”. Acredito demais na leitura como fator de transformação de realidades. Acho fora de contexto um bandido leitor compulsivo, por exemplo, ou um fascínora qualquer fã de Jorge Luis Borges.

Ontem vi uma Cientec abarrotada de gente. Jovens recém-saídos da adolescência trafegando pelos estandes diversos e excelente procura pelo espaço da quarta edição da Feira do Livro e dos Quadrinhos. Claro, são em imensa maioria universitários, mas as universidades de hoje não formam leitores, então o estímulo é válido.

Acho interessante a ideia dos produtores da FliQ montarem o estande dentro da Cientec. Falei aqui ontem na preferência pelo projeto Ação Leitura, do Jovens Escribas, que levam escritores locais e nacionais às salas de aula das escolas públicas. Talvez seja ainda mais propositivo; talvez seja o ideal.

Ambientes literários repletos de gente, em geral, provocam neste blogueiro já colecionador de alguns fios brancos de cabelo, acreditar numa barbárie humana menos torpe. Formar público para a arte é tanger a vida para uma realidade mais amena. Acredito na FliQ, no Ação Leitura, no Flipipa e nos livros.

Ontem, na mesa sobre jornalismo cultural, um assunto veio à tona: o gosto do leitor. Citei o exemplo de post recente em que critiquei um livro de Céline e rendeu pouquíssimo acesso aqui no SP. Claro, pela falta de interesse na literatura. É triste porque força a mídia a se moldar ao gosto superficial do leitor (sem generalizar, claro).

São raras as mídias pautadas exclusivamente por assuntos de cunho menos “massivo”, digamos. Na TV, só poucos canais por assinatura (Curta!, Arte1, Sesc…). Jornais impressos, em crise, cada vez mais se moldam ao senso comum. E no espaço virtual, não só os temas são os mesmos do impresso, mas recebem tratamento mais superficial.

Lembro de uma edição da finada Bienal de Natal com briga para acesso à palestra do global Zeca Camargo, que disse ter escrito um livro de viagem em seis semanas. No dia seguinte, o jornalista e poeta José Nêumanne Pinto disse, para parcos curiosos, que demorou seis anos para construir um de seus poemas. Muita demora, ne? Melhor assistir a Globo!

Difícil acreditar no futuro de uma humanidade sem massa crítica. Difícil acreditar em “leitores” mais preocupados com as selfies junto aos escritores do que com seus livros. Difícil acreditar, inclusive, que este post também terá algum número de acesso relevante.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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