De fotos e ficção

As fotografias das casas de cultura, na Palumbo, são das inaugurações. Na minha gestão. Edifiquei 14 e deixei 26 em obras. A maioria está abandonada. Não resistem a um bom fotógrafo, nem por dentro nem por fora. O programa todo foi desvirtuado. A arquitetura, muito bela, era dado secundário. O fundamental era o estímulo à agitação cultural das comunidades. Virou um sonho de tarde de outono. Essa história de ponto de cultura é ficção. O papo é que acabou o balcão. Acabou não. Virou seletivo, politicamente seletivo. O bolsa família é um balcão. Enorme. Fica o balcão social, que dá voto e morre o balcão cultural, que não lubrifica urna. Cultura esclarece. E tudo que esclarece tira voto. A teoria continua azeitada de retórica esquerdista e demagógica. Mas a prática é o escambo eleitoral. Não há mais nenhuma restrição ética ou limite moral para a escolha dos aliados. E é porque o tempo outro era o tempo sem sol, de se comer a comida no meio da batalha.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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