De Guimarães Rosa

Meio atrasado presto minhas homenagens ao centenário de nascimento e à genialidade de Guimarães Rosa com um trecho do livro Estas Estórias, do qual li boa parte em viagem à Pau dos Ferros. Faz parte de uma entrevista-retrato com o vaqueiro Mariano. As palavras de Mariano descrevem o trabalho do vaqueiro em tanger o gado em meio a um grande incêndio no campo:

“ (…) Corremos, corremos. Até os bois ajudavam, num modo de estarem entendendo. Agora o fogo estava pro meu ombro. Nós íamos beiradeando aquele paredão desumano, vermelho e amarelo, e enfumaçado, que corria também, querendo vir mais do que a gente: como que nem com uma porção de pernas, esticando uma porção de braço. O bafejo do calor era tão danisco, que eu às vezes passava mão p’lo meu corpo, pensando que já estava também pegando fogo. Suor pingava de mim, feito gordura de churrasco. O capim, a macega velha, fica tão duro e rediço, que é um bambu fino, a gente e estorvando nele. E aquilo vinha que vinha, estralhaçando e estalando: pé-pé-pé-pé-pé!…”.

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