De intelecto e de intelectuais

Caro Laurence,

Só vejo um reparo em sua curta análise sobre os intelectuais. Se não assumir, em determinados momentos históricos, um lado, corre o risco de ser um colaborador cínico da anti-liberdade. Não necessariamente deverá ser apegado a uma ideologia, mas apegado aos princípios e vetores maiores da humanidade, é que tomará posição e se tornará engajado, sem partidos, sem bandeiras, somente o conceito, a noção e a nação da liberdade e da humanidade.

Acabei, agorinha mesmo, de assistir a um belíssimo documentário francês sobre o papel do poeta René Char na resistência ao Nazismo: “René Char, nom de guerre Alexandre“, de Jerôme Prieur. Nesse filme, pode-se perceber, claramente, o quanto é importante a tomada de posição (que até um poeta deve assumir em momentos culminantes da história, em defesa da humanidade). E sei que você é um homem de posições, Laurence. Porisso, sabe do que estou a falar.

Para concluir, quero lembrar uma observação antiga de Marcossilva. Acho que é, mais ou menos, assim, senão o próprio pode me corrigir: “há vários tipos de intelectual. Há os que sabem fazer uso do intelecto, não somente os intelectuais de academia. ” Nesse sentido, vale bem a frase de Romário: “Pelé, jogando é um poeta. Falando…”.

O que vale (quanto ao intelecto) é o que fazemos dele.

Por fim, meu manifesto:

“Longa vida ao intelecto! Morte aos intelectuais!”

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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