De Ivan Lins e do fim do Seis e Meia

A Fundação Capitania das Artes está de parabéns pela escolha da atração e estrutura oferecida no show de Ivan Lins, dentro do programa Pixinguinha, salvo engano, aberto pelo próprio autor de Madalena e outros hits da clássica MPB.

Achei a apresentação meio paradona. Claro, não poderia esperar uma puxada hard core de Ivan Lins. Ainda assim, poderia ser mais agitado. Achei muito instrumental. E antes fosse um time de músicos mais ousados nos improvisos. Muito piano no ouvido cansa, pelo menos os meus. Depois de quase duas horas de show e nada dos velhos hits.

Talvez não tenha sido a opinião geral. Acredito que não. Interessante mesmo foi a escolha de um talento indiscutível da nossa música e que há muito não dava as caras por aqui. E melhor: ao preço de R$ 1.

Um pessoal do condomínio vizinho e com sobrado voltado para o pátio da Funcarte atrapalhou bastante a apresentação. Houve até princípio de briga. O bom senso ficou de fora e eles gritaram e procuraram avacalhar o show. Alguma coisa tem que ser feita ou vai se repetir.

Enquanto a gestão municipal da cultura mostra a que veio, ainda espero resultados da Fundação José Augusto. A desculpa de que vai arrumar a casa já soa ridícula. Melhor por uma faxineira para chefiar os ditames da coisa do que um cordelista, então.

Perto de findar o mês do carnaval, apenas umas apresentações do Bolshoi. Nada de substancial. Pior: soube por cima que o Projeto Seis e Meia – o programa cultural mais bem sucedido do estado – pode acabar por falta de grana pra pagar os cachês dos artistas. Os integrantes da banda Os Grogs esperam há quatro meses o dinda.

Já que não fez nada de relevante para a cultura potiguar em mais de um ano, o diretor geral da FJA, Crispiniano Neto, pode “conseguir” ter como marca maior de sua gestão o fim de projetos grandiosos como a Revista Preá e, mais ainda, o Projeto Seis e Meia.

É esse o retrato da nossa cultura. O chefão do senado, nosso potiguar Garibaldi disse, em entrevista ao jornalista Alex de Souza, que não lembrava de um único projeto cultural em sua gestão de quase uma década à frente do Governo Estadual. É lamentável.

Enquanto isso, nos bastidores da Funcarte há planos ainda sigilosos de elaborar um programa semelhante – para não dizer uma cópia fiel – do Seis e Meia, no mesmo dia e horário, e também com uma atração nacional e outra local. Isso para fazer frente ao quase falido Seis e Meia e mostrar, de forma clara e comparativa, o que é gerir cultura.

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