De loucura e de genialidade

mutantes e zelia duncanCaro Marcos,

Interessante o viés que você tomou na análise acerca de “Loki”. Observou a íntima relação que há entre a genialidade e a loucura. E isso mostra a riqueza do documentário, pois Carlão e eu fomos, a princípio, por outros aspectos. Mas, tudo está entrelaçado. A loucura permeia tudo e é importante que ela exista. Freud tinha razão em deixar intacto o Nietzsche pós-surto. É como disse um outro dos entrevistados do filme, algo mais ou menos assim: “É bom que haja um parafuso um pouco frouxo, senão o carro fica muito acertadinho, muito durinho, termina derrapando…” Já pensou se houvesse somente certinhos, quadradinhos, cartesianos? Porra, seria uma merda! É preciso que existam os que quebram os padrões, que não possuem rótulos, quase que se desapegando da realidade terrena, como o Arnaldo. Esses, sim, são o tempero do mundo. Gente certinha demais é chata pra cacete! São os verdadeiros doentes, porque não têm face, não têm cor, não têm música, não têm arte…

Fodam-se os certinhos!!!!

p.s. Para quem quiser conhecer melhor a nova fase dos Mutantes (com Zélia Duncan), aconselho também o DVD do show ao vivo no Barbican Theatre, Londres, 2006. Há, dentre outras coisas maravilhosas, um antológico solo de guitarra do virtuoso Sérgio Baptista em “I feel a little spaced out (Ando Meio Desligado)” que vale, por si só, o show que balançou a capital inglesa.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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