De pão, circo e complexo de inferioridade cultural

Por Tácito Costa

“Outra coisa não, mas de pão e circo Carlos Eduardo entende”. A frase, dita por uma pessoa próxima ficou martelando na minha cabeça. Talvez porque remeteu-me ao desastre Micarla de Sousa, quando não tivemos pão, circo, competência ou honestidade. Estão aí os inquéritos sobre corrupção em andamento. Informação publicada ontem por Sérgio Vilar dá uma pálida idéia dos descalabros daquela administração, a banda evangélica agora contratada por R$ 40 recebeu de Micarla em 2011 R$ 250 mil (aqui).

Tenho também ouvido e lido críticas sobre os gastos da Prefeitura com o Natal em Natal. Que o dinheiro poderia ser gasto na saúde, na educação, nisso e naquilo. Um discurso, diga-se de passagem, antigo. E equivocado. Não leio o contrário, que o dinheiro gasto nessas outras áreas poderia ser empregado na cultura. Por que não? A rigor, todas essas áreas são importantes. Vejo preconceito aí. Que metro e parâmetro foram usados para relegar a cultura a segundo plano? A se contentar com as sobras do banquete, a viver eternamente sem dotação orçamentária?

No entanto, quando é recurso para a cultura sempre tem quem ache que é muito e mal empregado. Algumas pessoas, do próprio segmento embarcam nessa crítica rápida e pouco razoável. Vejo como um complexo que precisa ser superado porque parte de uma premissa de inferioridade que é absolutamente falsa. Insisto, a cultura é tão importante como a educação, a saúde, a segurança, a mobilidade urbana, tão em moda, e etc.

Não se trata de defender o prefeito, que por acaso é Carlos Eduardo, mas sim uma política de governo para o setor, independente de quem esteja no cargo.

Acho que o debate seria mais interessante se ao invés da crítica sobre gastos e gostos e egos focasse na política cultural em curso, que tem resultado nesses eventos atuais e noutros, como o Festival Literário de Natal, por exemplo. O que está certo, errado, pode ser melhorado e quais as alternativas possíveis.

Pelo menos nesses shows do Natal em Natal, para o bem e para o mal, pagamos só uma vez. O que dizer dos projetos patrocinados pelas leis de cultura e que cobram ingressos, obrigando-nos a pagar duas vezes (o imposto que pagamos e o ingresso)?

E voltando ao início, encontrei a pessoa que reclamou do “pão e circo” com um grupo, todos lindos, por sinal, muito animado, cantando e dançando no show de Zeca Baleiro na Arena das Dunas. O pessoal da Zona Norte também se divertiu muito com Zé Ramalho, só achei absurdo um camarada querer cobrar 10 Reais pelo estacionamento, claro que não aceitei, estacionei mais a frente, em segurança e livre de flanelinhas. Além do show sensacional ainda saí de lá com uma informação que desconhecia. Já perto do final, Zé disse que iria homenagear “um colega de profecia”, Raul Seixas, cantando algumas músicas do roqueiro. Não sabia que eram profetas. Vivendo e aprendendo – rs.

ramalho2

Comments

There are 3 comments for this article
  1. Anchieta Rolim 17 de Dezembro de 2014 14:21

    Bem lembrado, Moises.

  2. Anchieta Rolim 17 de Dezembro de 2014 14:24

    Além do texto ser coerente, esse final foi muito massa!!! “…Já perto do final, Zé disse que iria homenagear “um colega de profecia”, Raul Seixas, cantando algumas músicas do roqueiro. Não sabia que eram profetas. Vivendo e aprendendo – rs.!” Gostei, capitão!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP