De pelejas nos bastidores da TV local, Cacimbinhas e as Memórias de Quintal

Por Joanisa Prates

VERGONHA!!! Sinceramente, eu tenho vergonha do telejornalismo praticado nessa cidade. Sou assessora de imprensa de dois grupos de teatro aqui de Natal, e é uma peleja conseguir espaço pra divulgar os nossos espetáculos.

Essa semana mesmo a Bololô Cia. Cênica está em temporada com o espetáculo MEMÓRIAS DE QUINTAL – Bololô Cia Cênica | temporada de estreia, e quando eu entro em contato com a pauta da principal rede de televisão do RN, a Rede InterTv – Afiliada Rede Globo, para sugerir uma matéria ou entrevista ou (pelo menos) aquele link ao vivo, a primeira resposta é: “Poxa, você sabe como é difícil, mas vou tentar”.

Difícil é compreender como é que uma TV local não abre espaço para os espetáculos de qualidade que são produzidos aqui na cidade, mas convida e exalta um cara como o Rei da Cacimbinha, “compositor” de uma letra tão ridícula, numa entrevista que durou 4 minutos e 19 segundos (???), que não nos acrescenta em nada, só causa indignação!
“Na na na na na na na na na na” ????????

Nada contra o trabalho do rapaz, mas não consigo aceitar tamanha rejeição ao que é produzido aqui na cidade, na maioria das vezes com pouca grana e muita ralação. O que nos resta? O AGENDÃO como consolo!

Aproveito pra mandar um recado pros colegas jornalistas que ficam 24h nos grupinhos de fofocas do zap zap: tá na hora de parar de se importar com a vida alheia e começar a botar as manguinhas de fora e batalhar por um jornalismo digno e de respeito aos telespectadores, ouvintes, leitores.

VER-GO-NHA!!!

Do blogueiro: Nenhuma surpresa com o fato. Muito mais surpreso com a indignação da jornalista. Não pelo mérito da indignação, mas pela revolta de um fato tão corriqueiro. Talvez seja minha carcaça já velha e desacreditada. Mas o mundo é esse. Não é de hoje a falta de espaço à qualidade. Hoje é o Rei da Cacimbinha. Amanhã é o Príncipe dos Teclados. Depois é o Bobo da Corte e por aí vai. Claro, o que seria do mundo sem uma revolta ou outra que, por muita sorte e adesão, consiga transformar alguma realidade. Não essa, infelizmente. A indústria de massa vem desde os chatos do Adorno e Horkheimer; está consolidada feito titânio. A grita propositada de Joanisa Prates vai morrer nas redes sociais. Talvez ganhe um riso sarcástico de algum produtor de TV. E amanhã será a vez de algum grupo desafinado de samba ganhar cinco minutos de fama, quando nosso teatro quer apenas espaço para divulgar seu trabalho. Mas na disputa entre Fama x Divulgação só sai goleada.

Detalhes sobre o espetáculo Memórias de Quintal, AQUI.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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