De prêmios e premiados

É rara a entrega de premiações gerarem consenso. Quase sempre há questionamentos. Mas um fator é inegável: o reconhecimento do artista, como indicado ou premiado. E o Rio Grande de Poti tem assistido uma gama de artistas potiguares indicados a prêmios aclamados pela mídia nacional e local ou reconhecidos pelo trabalho realizado.

Roberta Sá e Marina Elali concorrem ao Prêmio Tim de Música. A primeira, na categoria Melhor Disco de MPB, com Que belo estranho dia pra se ter alegria. A segunda, como melhor cantora popular. Não bastasse, Khrystal recebe convite para participação no Programa Senhor Brasil, da Tv Cultura de São Paulo, comandado por Rolando Boldrin.

Khrystal embarca hoje para Sampa. Vai cantar duas músicas ao lado de Guinga. Sobre o músico – já com participação no CD Coisa de Preto, da Khystalina – o mestre Hermeto Paschoal disse: Caras como Guinga só nascem a cada 100 anos.

Aqui mesmo nesta terra que começa a contradizer Cascudo e consagrar os seus, o Diário de Natal concedeu 12 premiações na última quinta-feira. Diversas áreas da cultura contempladas. Burburinhos em conversas informais nos bares da cidade, comentários, especulações… São iniciativas que fazem a cultura e os artistas virarem notícia.

Gente como João da Rua venceu na categoria Literatura. Merecidíssimo, mesmo pela pouca biografia, como ele mesmo frisou. Outro destaque merecido foi o reconhecimento ao trabalho de Dionízio do Apodi, na categoria Teatro. Dionízio é o “maestro” do Pessoal do Tarará, grupo de teatro de rua. Acompanhei um dia de apresentação deles em uma comunidade de periferia em Mossoró. E posso atestar: é um trabalho abnegado. Para o próximo ano, largo a sugestão: o pessoal do Escambo, de Janduís.

Comentar da homenagem a Deífilo Gurgel é cair no óbvio. Posso dizer de minhas reclamações desde o primeiro prêmio do esquecimento ao folclorista. Naquela primeira solenidade, Deífilo havia escrito dois importantes livros do nosso folclore e o vencedor foi seu irmão, Tarcísio Gurgel, que recebeu meio sem graça o troféu e comentou, de forma elegante, da bobeira do DN com o irmão. Para o próximo ano, também largo outra dica à direção do jornal: a romanceira Dona Militana, descoberta pelo próprio Deífilo.

A escolha popular, como nas três edições anteriores, contemplou a música. Roberta Sá foi uma boa escolha. Só desconhecia tamanha popularidade. Imaginei um público mais seleto da cantora.

E entre premiados e homenageados, entre feras e feridos, valeu a noite de vivas à cultura potiguar. Soube também que a Fundação José Augusto organiza uma premiação às matérias jornalísticas relacionadas à cultura. Bravo. Ora, também somos gente!

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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