“De uma oficina com Jack Spicer”, de Maluz Maheros

com as gengivas desaparecidas

a fome elabora a redenção alforriando as tripas

estamos a nadar em pele esvaziada

e embora o nariz seja uma ponte

nos espiralamos para o nada

o olho fisga e os tremores fazem de nós

ventríloquos assustados e dissonantes



e agora o metal escorre do radiador

vermifugando o chão

bêbados e ciganas deitam sob

a mesma linha em que se que se erguem

onde redemoinhos embalam a noite das crianças



ainda irei ouvi-los no estreito reduto do meu sono

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