De volta aos anos 30?

Manifestantes em frente à sede do Parlamento grego em Atenas

Foto: Margarita Kiau/EFE

Por Kenneth Maxwell
FSP

A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), em uma avaliação das perspectivas de crescimento mundial nos próximos seis meses, reportou que todas as áreas do planeta registram desaceleração.

Os grandes países industrializados do G7 caíram de 102,5 a 102 pontos em junho no índice da OCDE, no qual 100 representa crescimento zero. Os indicadores referentes a Brasil, Índia e China também recuaram.

O motivo central de preocupação é a crise da Grécia, cujos custos de captação dispararam, gerando rumores insistentes de um calote. A renúncia do economista-chefe do Banco Central Europeu, o alemão Jürgen Stark, agravou a crise. Stark defendeu limites para a assistência à Grécia e objetou à compra de títulos públicos italianos e espanhóis pela instituição.

O ministro da Economia alemão, Philipp Rösler, afirmou que para estabilizar o euro pode ser necessária “uma falência ordeira” na Grécia.

Christian Lindner, secretário-geral dos Democratas Livres -parceiros na coalizão governista de Angela Merkel-, foi mais longe. “Em última análise”, afirmou, “não se pode descartar a ideia de que a Grécia deve, ou poderia desejar, sair da zona do euro”.

O bilionário investidor e filantropo norte-americano George Soros vem dizendo mais ou menos a mesma coisa.

Ele defende a ideia de um título público unificado para a zona do euro, subscrito conjuntamente pelos 17 países usuários da moeda comum.

Mas Merkel se opõe firmemente a um título unificado. A Alemanha tem a economia mais forte da Europa e é a fiadora do futuro econômico do continente. Mas a votação quanto a diversos aspectos dos resgates aos países-membros da zona do euro só acontecerá em 29 de setembro no Legislativo alemão.

A aprovação de um novo pacote para a Grécia deve ocorrer em outubro. Em dezembro, haverá uma votação sobre o tratado que cria um fundo permanente para estabilizar crises na zona do euro.

O problema é que esse calendário político vem sendo atropelado pelas exigências dos mercados em pânico. Já não se trata só da Grécia. Muitos operadores acreditam que um calote grego seria hoje a melhor resposta aos problemas europeus.

Autoridades dos EUA vêm declarando, em foro privado, que o fracasso europeu em combater a crise da dívida responde por dois terços da instabilidade no mercado mundial.

Mas tampouco os EUA começaram a colocar a casa em ordem. O risco é que, com a desaceleração na economia mundial, combinada à paralisia política na Europa e nos EUA, a situação se torne cada vez mais como a dos anos 30.

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