Décimo Nono Capítulo do Romance “O Dia dos Cachorros”, de Aldo Lopes de Araújo

Arte: Alberto Lacet

XIX

QUEBRA-FERRO ANDAVA COM MUITA DIFICULDADE. Além de recentes as amputações ele ainda não havia se acostumado de todo às muletas. Sem um braço e uma perna era dureza dar conta das precisões do corpo. No entanto, se tornara o homem mais feliz do mundo. Tudo por escolha própria, patriotismo, paixão por uma causa nobre: a independência de sua terra. Era, a bem dizer, um mutilado de guerra. Tudo por uma questão de escolha. Falta de sorte é nascer aleijado ou perder um membro por acidente ou por recomendação médica. Quebra-Ferro era um homem feliz assim, já à meia-idade descobrira que Deus foi generoso ao fazê-lo linheiro e aromatizado como um eucalipto, e ainda por cima com toda uma fortuna encravada no corpo.

Voltava do Princeza Café, muleta aqui, muleta acolá. Não falhava uma noite. Antes de o vulcão adormecido vomitar fogo pelo cone, Quebra-Ferro redescobrira as virtudes adolescentes da munheca. Preocupado com a assiduidade do paciente, abusando do recurso, o doutor Nepomuceno prescrevera-lhe duas idas à zona por semana.

— Duas, está me ouvindo?

As mulheres passaram a ter uma espécie de satisfação cívica em ir para a cama com Quebra-Ferro. As da zona e as de fora da zona também, mas sobre estas não era prudente se falar, senão ninguém ia saber onde é que começava a zona e onde terminava a cidade, ficaria tudo uma zona só. A partir de então, fios de escândalos começaram a se tecer pelos labirintos da cidade, labirintos por onde muitas moças se perderam, levadas pelas próprias mães. Como mulher tem sabedoria até para enganar o diabo, Quebra-Ferro manjou logo. Esse desprendimento todo era pretexto para segurar bucho, ter um filho que nascesse com a carcaça milionária, para tirar raça e ser o orgulho da espécie. E Quebra-Ferro papava mãe e filha.

Tão logo se viu sem uma perna e, pior ainda, só com um braço, Quebra-Ferro percebeu que estava mais tarado, tudo por conta de que dentro dele o coração bombeava a mesma quantidade de sangue num espaço de corpo bem menor, aumentando-lhe a pressão, a força no miolo das artérias. Encurtadas as distâncias, o vermelhão dava uma circulada em volta da bacia e, depois de inundar tudo, transbordava e se metia em grande estrépito pelas veias da estrovenga, pelas cavernas internas do cacete. E a lapada da força era tão do caralho, que a bicha latejava como um pescoço de garrote.

Todas queriam ter o prazer de dar alguma coisa ao heroi, que era o mesmo que estar segurando no mastro da gloriosa bandeira de Princeza, a bandeira que nunca negou ser uma obra de arte: um retângulo amarelo com um fundo azul e uma estrela de cauda em forma de arco-íris. Acima, nos cantos superiores do retângulo, havia uma flor de algodão e outra de mandacaru. Bem diferente, pois, da bandeira que num futuro breve criariam para representar a bandeira da Paraíba, onde o preto e o vermelho — luto e sangue — davam-lhe um aspecto funerário. E depois havia ainda aquele tal “nego” que inventariam de escrever no luto, como se a tal bandeira tivesse sido pensada para ficar eternamente no banzo do meio-pau. A bandeira de Princeza era luminosa, que pulsava vida, luz e alegria. Os filhos do novo país se apegaram tanto a esse pedaço de pano que nos combates eles faziam sorteio para ver quem tinha o privilégio de conduzi-la. Depois se descobriu que o orgulho de estar empunhando aquele mastro deixava o cidadão entusiasmado a tal ponto que, acaso tombasse nas mãos do inimigo, não sentiria a dor das balas nem dos ferros trespassando-lhe o corpo.

A situação de penúria teria levado Quebra-Ferro à mutilação, sacrifício que ele fazia questão de atribuir exclusivamente à causa de Princeza. Portanto, se sentia recompensado. E mais ainda pelo fato de ter desfrutado prazerosamente da generosidade das mulheres que faziam questão de lhe dar qualquer coisa em sinal de agradecimento. E muitas, na falta desse “qualquer coisa”, davam o que todo mundo já sabia e conhecia. Unir o útil ao agradável sempre foi o grande trunfo das mulheres em suas camaradagens católicas ou mesmo catimbozeiras, elas gemiam e choravam como gato no telhado. Ganhar o aconchego prazeroso das maravilhosas mulheres foi para Quebra-Ferro — e disso ele guardou segredo — melhor do que receber a condecoração de Cavaleiro de Princeza, o único título de nobreza conferido pelo coronel Barbaciano durante os trezentos e quarenta e dois dias e três horas da existência de Princeza como estado independente.

Nesse dia, Quebra-Ferro se enrolou na bandeira da mais nova nação abaixo da linha do Equador e chorou. Chorou mais ainda quando sentiu seu corpo anestesiado, a mesma sensação de quando estivera na mesa de cirurgia, à mercê do bisturi e da serra do doutor Nepomuceno, corrote-corrote. Emocionados, todos cantaram o hino nacional recém-criado e depois o coronel fez um pronunciamento entrecortado de soluços — chorou o tempo inteiro — e finalizou dizendo que toda aquela guerra se abatera sobre Princeza porque seus homens sempre apreciaram a liberdade e jamais permitiriam que os de fora gritassem dentro de suas casas, jamais deixariam que faltasse o feijão de cada dia em suas mesas, por conta de uma corja de corruptos, uma súcia de cobradores de impostos, exatores miseráveis e enganadores do povo.

Princeza estava livre, e essa liberdade o coronel Barbaciano dividia com todos aqueles que deram a vida, com todos os homens e mulheres que se sacrificaram por um ideal. E dividia especialmente com um homem: Quebra-Ferro. O coronel foi muito aplaudido quando destacou o patriotismo e o despojamento do condecorado, em seguida jurou cumprir a Constituição, sob o olhar grave e agradecido do juiz Brito de Medeiros. E depois de passar em revista as tropas, acompanhado de seus ministros, o coronel Barbaciano convidou todo mundo para o jantar.

E assentaram-se à mesa todos os que estavam na cerimônia, e também os que não estavam, mas que iam passando pela rua, e ainda os que chegavam dos sítios e das fazendas e das vilas vizinhas. E viessem em cavalos, jumentos, carros-de-bois, automóveis ou a pé, eram convidados para tomar assento e o mínimo que podia acontecer era cada um deles ganhar um prato da altura de uma serra, com um magnífico pé de galinha enfiado numa montanha de arroz-de-leite.

João Severino disse a Guabiraba que não tinha onde deixar o seu jumento. Se apeie e se farte. Deixe o jegue com nós, disse Guabiraba. Vamos tirar a sela para o bichinho esfriar o corpo e se espojar no chão. Assim ele vai poder coçar as costas e estirar a prativai e ficar batendo com ela na barriga, que ninguém vai achar feio não. Até já providenciamos ração de capim e um bornal de milho, bicho bruto também é gente, e logo ele que um dia carregou Nosso Senhor! E foram trazendo mesas e mais mesas e toalhas brancas e guardanapos, e a prataria reluzente tirada de dentro de caixotes de pinho, as taças de cristal saíam das embalagens, e em pouco tempo estavam as mesas fartas de vinhos e aguardentes, bebidas finas vindas de lá dos alambiques dos Patos de Princeza.

Na mesa de João Triângulo e Laurindo da Escorregada o assunto era o tal “olhar grave e agradecido” do juiz Brito de Medeiros pousado num rabo de mulher, e não em porra de Constituição! Distinta senhora da sociedade, ela era esposa do ex-chefe da Mesa de Rendas, a quem o juiz beneficiara com uma sentença. Temendo perder a fazenda de duas léguas de baixio e um açude enorme, o ex-coletor mandou a mulher ir ter com o magistrado. Organizado e cuidadoso, o doutor conferiu a venda nos olhos da Deusa da Justiça, sempre com sua espada firme, jogou uma toalha na imagem do Cristo crucificado, meteu Santo Antônio por debaixo de uns papéis dentro da gaveta, atravancou as portas do seu gabinete, baixou as cortinas e as calças e só saiu duas horas depois de acabado o expediente. A gentil senhora saiu a passos largos pelo corredor, levando uma cópia da sentença ainda quente, o véu esgulepado de tanto ela puxar, tentando esconder a cara.

Esse dito não fora o primeiro processo no qual o julgamento levara em conta não as provas dos autos e sim a formidável bunda de uma senhora. Diziam que o juiz herdara do pai o gosto por traseiros, essa notável e disputada região da geografia feminina. O velho fazendeiro uma vez por mês distribuía queijos entre as moradoras. Ele fazia a entrega pessoalmente e ficava reparando de esguelha, só cubando, e ganhavam maior quantidade de queijo aquelas que possuíam as alcatras mais desenvolvidas.

Foi um banquete como nunca se viu em lugar nenhum do mundo. Eram tantos convidados e penetras que, por não haver mais lugar na área coberta da casa, as filas de mesas e bancos e cadeiras tomavam conta do grande pátio, ocupando a calçada e ganhando a rua, para engolir vários quarteirões cabeça acima, indo até a esquina de Hildebrando, no início da Av. Frei Rabelo Arconegro. Os serviçais da casa do coronel corriam ensopados de suor por entre as filas de mesas carregando travessas fumegantes sobre padiolas. E eram aves e carnes e pães e saladas e queijos e vinhos e refrescos e doces e chás e licores e muita aguardente chegando em ancoretas sobre carros de mão e passando entre as filas das mesas. Nesse dia, até bem para depois da meia-noite, só se ouvia o tilintar de taças nos brindes e os gritos de longa vida ao Rei.

QUEBRA-FERRO ANDAVA COM MUITA DIFICULDADE. Além de recentes as amputações ele ainda não havia se acostumado de todo às muletas. Sem um braço e uma perna era dureza dar conta das precisões do corpo. No entanto, se tornara o homem mais feliz do mundo. Tudo por escolha própria, patriotismo, paixão por uma causa nobre: a independência de sua terra. Era, a bem dizer, um mutilado de guerra. Tudo por uma questão de escolha. Falta de sorte é nascer aleijado ou perder um membro por acidente ou por recomendação médica. Quebra-Ferro era um homem feliz assim, já à meia-idade descobrira que Deus foi generoso ao fazê-lo linheiro e aromatizado como um eucalipto, e ainda por cima com toda uma fortuna encravada no corpo.

Voltava do Princeza Café, muleta aqui, muleta acolá. Não falhava uma noite. Antes de o vulcão adormecido vomitar fogo pelo cone, Quebra-Ferro redescobrira as virtudes adolescentes da munheca. Preocupado com a assiduidade do paciente, abusando do recurso, o doutor Nepomuceno prescrevera-lhe duas idas à zona por semana.

— Duas, está me ouvindo?

As mulheres passaram a ter uma espécie de satisfação cívica em ir para a cama com Quebra-Ferro. As da zona e as de fora da zona também, mas sobre estas não era prudente se falar, senão ninguém ia saber onde é que começava a zona e onde terminava a cidade, ficaria tudo uma zona só. A partir de então, fios de escândalos começaram a se tecer pelos labirintos da cidade, labirintos por onde muitas moças se perderam, levadas pelas próprias mães. Como mulher tem sabedoria até para enganar o diabo, Quebra-Ferro manjou logo. Esse desprendimento todo era pretexto para segurar bucho, ter um filho que nascesse com a carcaça milionária, para tirar raça e ser o orgulho da espécie. E Quebra-Ferro papava mãe e filha.

Tão logo se viu sem uma perna e, pior ainda, só com um braço, Quebra-Ferro percebeu que estava mais tarado, tudo por conta de que dentro dele o coração bombeava a mesma quantidade de sangue num espaço de corpo bem menor, aumentando-lhe a pressão, a força no miolo das artérias. Encurtadas as distâncias, o vermelhão dava uma circulada em volta da bacia e, depois de inundar tudo, transbordava e se metia em grande estrépito pelas veias da estrovenga, pelas cavernas internas do cacete. E a lapada da força era tão do caralho, que a bicha latejava como um pescoço de garrote.

Todas queriam ter o prazer de dar alguma coisa ao heroi, que era o mesmo que estar segurando no mastro da gloriosa bandeira de Princeza, a bandeira que nunca negou ser uma obra de arte: um retângulo amarelo com um fundo azul e uma estrela de cauda em forma de arco-íris. Acima, nos cantos superiores do retângulo, havia uma flor de algodão e outra de mandacaru. Bem diferente, pois, da bandeira que num futuro breve criariam para representar a bandeira da Paraíba, onde o preto e o vermelho — luto e sangue — davam-lhe um aspecto funerário. E depois havia ainda aquele tal “nego” que inventariam de escrever no luto, como se a tal bandeira tivesse sido pensada para ficar eternamente no banzo do meio-pau. A bandeira de Princeza era luminosa, que pulsava vida, luz e alegria. Os filhos do novo país se apegaram tanto a esse pedaço de pano que nos combates eles faziam sorteio para ver quem tinha o privilégio de conduzi-la. Depois se descobriu que o orgulho de estar empunhando aquele mastro deixava o cidadão entusiasmado a tal ponto que, acaso tombasse nas mãos do inimigo, não sentiria a dor das balas nem dos ferros trespassando-lhe o corpo.

A situação de penúria teria levado Quebra-Ferro à mutilação, sacrifício que ele fazia questão de atribuir exclusivamente à causa de Princeza. Portanto, se sentia recompensado. E mais ainda pelo fato de ter desfrutado prazerosamente da generosidade das mulheres que faziam questão de lhe dar qualquer coisa em sinal de agradecimento. E muitas, na falta desse “qualquer coisa”, davam o que todo mundo já sabia e conhecia. Unir o útil ao agradável sempre foi o grande trunfo das mulheres em suas camaradagens católicas ou mesmo catimbozeiras, elas gemiam e choravam como gato no telhado. Ganhar o aconchego prazeroso das maravilhosas mulheres foi para Quebra-Ferro — e disso ele guardou segredo — melhor do que receber a condecoração de Cavaleiro de Princeza, o único título de nobreza conferido pelo coronel Barbaciano durante os trezentos e quarenta e dois dias e três horas da existência de Princeza como estado independente.

Nesse dia, Quebra-Ferro se enrolou na bandeira da mais nova nação abaixo da linha do Equador e chorou. Chorou mais ainda quando sentiu seu corpo anestesiado, a mesma sensação de quando estivera na mesa de cirurgia, à mercê do bisturi e da serra do doutor Nepomuceno, corrote-corrote. Emocionados, todos cantaram o hino nacional recém-criado e depois o coronel fez um pronunciamento entrecortado de soluços — chorou o tempo inteiro — e finalizou dizendo que toda aquela guerra se abatera sobre Princeza porque seus homens sempre apreciaram a liberdade e jamais permitiriam que os de fora gritassem dentro de suas casas, jamais deixariam que faltasse o feijão de cada dia em suas mesas, por conta de uma corja de corruptos, uma súcia de cobradores de impostos, exatores miseráveis e enganadores do povo.

Princeza estava livre, e essa liberdade o coronel Barbaciano dividia com todos aqueles que deram a vida, com todos os homens e mulheres que se sacrificaram por um ideal. E dividia especialmente com um homem: Quebra-Ferro. O coronel foi muito aplaudido quando destacou o patriotismo e o despojamento do condecorado, em seguida jurou cumprir a Constituição, sob o olhar grave e agradecido do juiz Brito de Medeiros. E depois de passar em revista as tropas, acompanhado de seus ministros, o coronel Barbaciano convidou todo mundo para o jantar.

E assentaram-se à mesa todos os que estavam na cerimônia, e também os que não estavam, mas que iam passando pela rua, e ainda os que chegavam dos sítios e das fazendas e das vilas vizinhas. E viessem em cavalos, jumentos, carros-de-bois, automóveis ou a pé, eram convidados para tomar assento e o mínimo que podia acontecer era cada um deles ganhar um prato da altura de uma serra, com um magnífico pé de galinha enfiado numa montanha de arroz-de-leite.

João Severino disse a Guabiraba que não tinha onde deixar o seu jumento. Se apeie e se farte. Deixe o jegue com nós, disse Guabiraba. Vamos tirar a sela para o bichinho esfriar o corpo e se espojar no chão. Assim ele vai poder coçar as costas e estirar a prativai e ficar batendo com ela na barriga, que ninguém vai achar feio não. Até já providenciamos ração de capim e um bornal de milho, bicho bruto também é gente, e logo ele que um dia carregou Nosso Senhor! E foram trazendo mesas e mais mesas e toalhas brancas e guardanapos, e a prataria reluzente tirada de dentro de caixotes de pinho, as taças de cristal saíam das embalagens, e em pouco tempo estavam as mesas fartas de vinhos e aguardentes, bebidas finas vindas de lá dos alambiques dos Patos de Princeza.

Na mesa de João Triângulo e Laurindo da Escorregada o assunto era o tal “olhar grave e agradecido” do juiz Brito de Medeiros pousado num rabo de mulher, e não em porra de Constituição! Distinta senhora da sociedade, ela era esposa do ex-chefe da Mesa de Rendas, a quem o juiz beneficiara com uma sentença. Temendo perder a fazenda de duas léguas de baixio e um açude enorme, o ex-coletor mandou a mulher ir ter com o magistrado. Organizado e cuidadoso, o doutor conferiu a venda nos olhos da Deusa da Justiça, sempre com sua espada firme, jogou uma toalha na imagem do Cristo crucificado, meteu Santo Antônio por debaixo de uns papéis dentro da gaveta, atravancou as portas do seu gabinete, baixou as cortinas e as calças e só saiu duas horas depois de acabado o expediente. A gentil senhora saiu a passos largos pelo corredor, levando uma cópia da sentença ainda quente, o véu esgulepado de tanto ela puxar, tentando esconder a cara.

Esse dito não fora o primeiro processo no qual o julgamento levara em conta não as provas dos autos e sim a formidável bunda de uma senhora. Diziam que o juiz herdara do pai o gosto por traseiros, essa notável e disputada região da geografia feminina. O velho fazendeiro uma vez por mês distribuía queijos entre as moradoras. Ele fazia a entrega pessoalmente e ficava reparando de esguelha, só cubando, e ganhavam maior quantidade de queijo aquelas que possuíam as alcatras mais desenvolvidas.

Foi um banquete como nunca se viu em lugar nenhum do mundo. Eram tantos convidados e penetras que, por não haver mais lugar na área coberta da casa, as filas de mesas e bancos e cadeiras tomavam conta do grande pátio, ocupando a calçada e ganhando a rua, para engolir vários quarteirões cabeça acima, indo até a esquina de Hildebrando, no início da Av. Frei Rabelo Arconegro. Os serviçais da casa do coronel corriam ensopados de suor por entre as filas de mesas carregando travessas fumegantes sobre padiolas. E eram aves e carnes e pães e saladas e queijos e vinhos e refrescos e doces e chás e licores e muita aguardente chegando em ancoretas sobre carros de mão e passando entre as filas das mesas. Nesse dia, até bem para depois da meia-noite, só se ouvia o tilintar de taças nos brindes e os gritos de longa vida ao Rei.

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