“Decreto Faixa de Gaza” do RN

Por Elke Cunha

Em 1992, Fernando Collor pediu para o povo vestir verde amarelo e o povo saiu de PRETO. Eu morava próximo à Av. Paulista (na Rua Pamplona) e vivi um momento emocionante – participei das manifestações, de cara pintada.

Essa semana, ao ler o Decreto que restringe a liberdade de manifestação no Centro Administrativo, eu me lembrei muito desse momento da minha vida.

Aqui no RN, proibiram as manifestações (sim, proibiram, porque, se as manifestações de hoje em dia são feitas exatamente com apitos, carros de som e, eventualmente, a depender da pressão que se quer exercer, até barracas) e se esses instrumentos não são permitidos é porque querem ver o povo distante. Em resposta a essa proibição, assim como se deu na contrariedade “verde e amarelo” versus “preto e branco”, eu prego a DESOBEDIÊNCIA CIVIL. Estou pronta para acampar no Centro Administrativo no primeiro movimento popular que tiver por lá. Nem sei qual será a motivação, mas já quero participar! Comprarei quantos apitos eu tiver condições de comprar. Tenho ojeriza a autoritarismo e considero a atitude “restritiva”, da FORMA feita, autoritária.

Um imenso campo daquele pode muito bem suportar manifestações democráticas. Talvez não me incomodasse tanto se eu visse regulamentação que tivesse base legal e constitucional e que GUARDASSE CORRELAÇÃO DE PERTINÊNCIA LÓGICA COM O FIM ALMEJADO. Essa (o “Decreto Faixa de Gaza”) não guarda! Ou seja, se alguém me disser que instalar barracas dentro do prédio da Governadoria, impedindo a circulação, deve ser evitado, eu ficarei calada. Se alguém me disser que colocar milhares de trabalhadores numa daquelas secretarias causará transtorno a ponto de inviabilizar o trabalho, eu até ficarei na minha. Agora, proibir apitos ao ar livre naquele descampado!?!? Por que não exigir que os carros de som atendam ao limite de decibéis “x”, dentro da razoabilidade???? Mas simplesmente proibi-los!?!?!? Onde estamos, minha gente!!!!????

Não estou com isso sustentando que é impossível ser regulamentado o uso do espaço público. Porém, travestido de “regulamentação” o que há é um imenso desvio de finalidade: como já vi em um comentário de algum blog, com medo de um #ForaRosalba nos moldes da ocupação da Câmara Municipal de Natal no #ForaMicarla, foi instituído esse Decreto Autoritário. É o MEDO da vergonha pública o REAL motivo deste ato. #Lamentável!

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