Delenda doctores!

Você já assassinou um doutor hoje?

Se não o fez, está perdendo tempo.

Está provado e comprovado: doutores mataram Joana d’Arc, provocaram eclipses, produziram a inflação, inventaram a fome e outros malefícios que assolam a maioria dos não-doutores.

Seguindo o exemplo de Swift (vender carne de filhotes de camponeses pobres para aplacar a fome), faz-se necessário iniciar a temporada de caça aos doutores entre nós, evitando que seu mau exemplo se consolide e retalhando seus corpos para abastecimento de novos açougues dedicados a animais exóticos – alguns não-doutores homofóbicos diriam veados e bichas.

Aqui mesmo, no SP, desfilam impunemente doutores carnudos (não necessariamente veados nem bichas mas… quem o sabe?) que renderiam filés e ensopados suculentos. João da Mata e Marcos Silva são exemplares apreciáveis, meio gordinhos, pesados até. Eles citam frequentemente outros espécimes da raça que andam soltos em Natal, igualmente potenciais fornecedores de lautas refeições: Claudio Galvão, Tarcísio Gurgel etc. Moacy Cirne, embora tenha feito tudo que doutor faz, escapou por pouco da sina – não foi circuncidado pelo título. Os poetas Paulo de Tarso e Diva Cunha idem. Mas a UFRN está infestada daquela praga e pode ser transformada em disputado parque de caça – o bosque das pós-graduações é onde tem mais. Vale a pena conferir com Jairo Lima se alguns intelectuais de shopping pertencem à raça e anexar o Midway ao parque.

Outros povos eliminaram doutores em fornos crematórios, cadeiras elétricas e forcas. No Brasil, a solução de Swift figurará mais humanitária, para deleite de não-doutores generosos e cordiais (sem referência a Sérgio Buarque, que foi doutor ou mais, no tempo dos catedráticos que a ditadura militar acabou em 1969).

O perigo é, exterminados os doutores, a sanha eliminatória se expandir também para os não-doutores, de acordo com diferentes classificações – mestres, graduados, colegial completo, primeiro grau, pré-escola e por aí vai.

Mas ao menos uma das pragas das ciganas do Egito já terá sido eliminada do seio de nossa pátria.

Pode-se usar faca, revólver ou fuzil na tarefa. No caso de doutores mais teimosos, resistentes à morte, verdadeiros cabeças-duras, umas cacetadas na cabeça (órgão que os referidos animais costumam usar para pensar, além de servir também para suporte dos cabelos, em alguns) resolverão o problema, secundadas por vigorosos chutes nos sacos dos machos – existem controvérsias sobre a parte correspondente aos sacos nas fêmeas para serem chutadas durante a agonia, há quem diga que as mamas são bastante sensíveis ao chute, antigos manuais de tortura podem ser consultados.

Vale a pena também destruir seus ninhos e os apetrechos ali contidos (livros, cds, eventuais desenhos e pinturas pelas paredes, dvds de filmes de arte) para impedir a proliferação da espécie, esmagando-lhes os ovos – os chutes nos sacos já iniciarão esse processo.
Sobretudo, é fundamental não pensar e garantir que os outros não pensem.

No final, podereis dizer com Roberto Carlos: “O mundo é bom, a felicidade até existe”. Sem esses bichos – ou bichas, segundo os radicais homofóbicos não-doutores – que insistem em falar de problemas. Pois, como dizia o Anuário da Imprensa Brasileira (Estado Novo), vivemos num mundo sem problemas!

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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