Denise Sintani: na contramão da literatura politicamente correta

Por Jana Lauxen (*)

Recentemente, tive a feliz oportunidade de ler dois livros de uma escritora que, já nas primeiras linhas, me ensinou a admirá-la: Denise Sintani, autora das obras Cartas de Zi e Caricaturas. Denise mora em São Paulo, é professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e – o mais importante – uma questionadora nata. Algo que se reflete claramente em sua obra, e o motivo pelo qual ela precisou de apenas algumas linhas para me pegar de jeito.
Denise não está confortavelmente vivendo sua vida, satisfeita com quem é e com tudo que a rodeia. Sei disso não por que a conheço pessoalmente – infelizmente ainda não tive esta oportunidade; mas como todo bom escritor, descontente com o status quo da vida e do mundo, Denise se expõe, e expõe sua personalidade por meio do que escreve. Acredito que não haja maneira melhor e mais eficiente de se conhecer uma pessoa do que através de sua percepção daquilo que acontece em sua volta. E neste ponto, posso sim afirmar que eu conheço Denise Sintani.
Seus livros falam sobre pessoas. Não pessoas espetaculares, com uma vida extraordinária, detentoras de feitos inacreditáveis e de personalidades brilhantes; mas pessoas comuns, com as quais convivemos e nos relacionamos. E é do cotidiano, do corriqueiro, do despretensioso, que Denise extrai a essência de sua literatura, refinando-a e lapidando-a até transformar o habitual em algo único e surpreendente.

Seus personagens transitam pelos mais diferentes meios, e apresentam conflitos e questões que, sem dificuldade, somos capazes de reconhecer. Através de uma escrita leve e nada afetada, Denise mergulha sem medo na psique humana, desconstruindo com ironia as máscaras que costumamos usar, para logo em seguida reconstruir a individualidade de cada um com o mesmo sarcasmo. Denise morde e assopra. Bagunça, e depois organiza. Ignora o que buscamos fortalecer, e escancara o que tentamos desesperadamente esconder.

O leitor sai da posição de mero espectador e passa a interagir com a obra; e conforme a autora vai penetrando na personalidade de seus personagens, temos a impressão de que ela invade também os nossos próprios pensamentos, apontando o dedo para nossos conflitos, e para tudo o que trazíamos como certeza em nosso íntimo.
Sendo uma questionadora por natureza, Denise aprendeu a descomplicar o complexo e a complicar o que julgamos simples. E esta característica marcante de sua literatura está nos dois livros que caíram em minhas mãos recentemente: Cartas de Zi e Caricaturas estabelecem uma conexão imediata com a realidade, e descrevem situações, pessoas e encruzilhadas com as quais todos nós já nos deparamos muitas vezes em nossas vidas. E é por meio deste reconhecimento, deste embate entre uma suposta ficção e a nudez da realidade, que passamos a nos questionar também.

Mais do que observar os fatos, Denise investiga os sentimentos por trás dos acontecimentos; mais do que analisar quem gostaríamos de ser, Denise considera quem somos por trás das fantasias que usamos para nos esconder.
Seja a obra Cartas de Zi, seja a obra Caricaturas, a verdade é que a literatura de Denise pode ser chamada de tudo, menos de superficial. Irônica, insubordinada, desobediente ou, como diria minha avó, impertinente, Denise caminha com segurança pela contramão da literatura politicamente correta, e imprime em seus livros a veia questionadora que traz do berço.

* Saiba mais sobre a autora acessando seu blog www.escritoscontemporaneos.wordpress.com e adquira seus livros na página da autora no site da Amazon www.amazon.com/Denise-Sintani/e/B00QR2J0K6

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* Sobre a Autora:
Jana Lauxen é escritora, editora e produtora cultural, autora dos livros Uma Carta por Benjamin (2009) e O Túmulo do Ladrão (2013).
E-mail para contato: osdezmelhores@gmail.com
Site: www.janalauxen.com

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