Descobrindo e amando Cauby

Foto: Marco Maximo

Eu conhecia pouquíssimo sobre Cauby. Apenas algumas interpretações de suas músicas mais famosas, como a indefectível Conceição. Diferentemente de outras vozes marcantes da velha guarda da MPB, como Nelson Gonçalves e Altemar Dutra, que ouvia em minha adolescência no rádio em Santana e mesmo depois já cauby 3em Natal. Esses dois também tinham admiradores em Santana.

Na nossa rua, Expedito, que fazia de caixões para enterro a móveis para casa, sempre ouvia Nelson aos domingos enquanto lavava sua Rural e tomava umas e outras. O som era alto e chegava de uma esquina à outra. Altemar tinha uma fã, Marleide, que morava próximo a pracinha principal da cidade e foi lá que ouvi um LP do cantor. Agora, Cauby não lembro de ter ouvido em Santana.

Com a morte do cantor, no mês passado, comecei a ouvi-lo. E não parei mais. No Spotify, no Youtube e na Rádio Batuta. E também assisti o documentário do diretor Nelson Hoineff “Cauby – Começaria Tudo Outra Vez”, disponível no Netflix.

Dei uma olhada no “Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira” (http://dicionariompb.com.br/cauby-peixoto/biografia) e fiquei impressionado com a quantidade de discos que ele gravou. Dezenas. Uma coisa fantástica.

Ouvindo e pensando em escrever sobre o cantor. Num desses últimos finais de semana mãe estava assistindo Raul Gil e por coincidência eu estava com ela e fiquei assistindo junto uma homenagem que ele fez ao cantor. Muito comovente os depoimentos de familiares e amigos.

cauby 2

Um documentário, como o de Hoineff, deveria ter sido feito quando o cantor era mais jovem. “Cauby – Começaria Tudo Outra Vez”, filmado em 2013, quando ele já estava com 82 anos, mostra um cantor alquebrado, em alguns momentos parecendo meio alheado ao entorno. Apesar disso, é uma bela e justa homenagem. Comovente as demonstrações de amor dos fãs que participam do filme. Principalmente de um jovem – deve ter uns 16 anos – que vai de sebo em sebo a cata de velhos LPs do ídolo. O filme vai relatando as duas histórias que no final se encontram.

Tenho ouvido músicas gravadas pelo cantor em várias épocas. Do rock ao bolerão, ele passeou por quase todos os gêneros musicais. Gostei mais daquelas em que ele se aproxima do jazz americano. O CD “Cauby Sings Nat King Cole” é um exemplo. Ele cantando Sinatra também é um deleite. Já quando canta Beatles não me agradou. Essa proximidade com a música americana tem uma explicação. No início da sua trajetória ele tentou nos Estados Unidos, com o nome de Ron Coby, a carreira internacional, que não decolou e acabou retornando ao Brasil.

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Passeando esses dias pela vida e obra de Cauby fiquei com a impressão de que ele merecia mais homenagens em vida. Como Sinatra, por exemplo, ambos vozes portentosas e carreiras gloriosas. Por isso, achei a cobertura da imprensa e a repercussão de sua morte tímidas para a dimensão que sua carreira tinha. Coisas do Brasil.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Anchieta Rolim 8 de junho de 2016 16:08

    Mandou bem, Capitão! Eu sou fã ferrenho do tal do rock’n’roll. Mas, desde criança aprendi a gostar e a curti o belo som do grande Cauby. Meu pai, era um grande admirador desse monstro sagrado da nossa música. Se não fosse bRAZILEIRO, com certeza tinha sido imortalizado no mundo dos grande “Deuses” da música mundial, mas, vamos em frente… pelo menos, os que tem consciência e bom gosto musical, com certeza admirará esse cara para sempre. Gostei da homenagem. Texto massa da porra, esse seu. Inté…

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