Desencanto

Por Sebastião Lopes

Eu faço versos como chora De desalento ….de desencanto… Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue. Volúpia ardente… Tristeza esparsa…remorso vão… Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca

-Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira (Meus Poemas Preferidos)

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