Desmantelo cultural

Com certa frequência temos exposto aqui a desconstrução que é a gestão Micarla de Souza na Prefeitura de Natal, especialmente na cultura. Mas o segundo mandato da governadora Wilma de Faria foi igualmente perverso com o setor cultural. Em sua coluna de hoje (aqui) Woden Madruga comenta o veto e depois o boicote à restauração do sítio histórico do Guarapes, um dos mais importantes do estado.

O comentário resume o que foi este segundo mandato de Wilma para a cultura. Um desastre que, felizmente, acaba este ano. No segundo mandato, o governo abandonou a própria sorte bons projetos como a revista Preá, o Prêmio de Poesia LCG,  as Casas de Cultura. O Seis e Meia sobreviveu aos trancos, a principal biblioteca de Natal, a Câmara Cascudo, ameaça desabar, a Cidade da Criança fechada há séculos. A lista de projetos que ficaram pelo caminho é maior, grafei o que fui lembrando agora.

Para se ter uma idéia mais precisa do descaso, em quatro anos devem ter sido publicados uns quatro livros. Se muito! Quatro anos, para a cultura, indefensáveis. No entanto, se anuncia para os próximos dias a inauguração de um complexo cultural na Zona Norte, onde foram empregados milhões. Quer dizer, não se cuidou do que vinha funcionando bem e partiu-se para criar mais um elefante branco. Nada contra o complexo, mas para mim fica claro o viés político da iniciativa, que mostra que os políticos brasileiros não tem interesse nenhum pela cultura, querem apenas usá-la para aparecer.

Mas, se os recursos foram escassos para a cultura, não faltaram para os shows, fantasmas ou não, nas inaugurações e vaquejadas. Se alguém se ser ao trabalho de levantar quanto o governo gastou em shows e festas sem futuro, meramente politiqueiras, constatará que essa grana daria para fazer uma gestão cultural de vergonha e não o que se viu nos últimos quatro anos.

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