Despedida de 2010

Despedir é muito difícil. Nunca aprendemos e estamos sempre sofrendo.
Deixo mais saudades no ano que termina que boas lembranças. De muitos guardo o silencio. Sei que o essencial não foi dito. Muitos são covardes e calam. Mentem. Esperam. Outros se agrupam,

Dei boas gargalhadas com “os esquisitos”. Com os que ficam escondidos por traz dos pseudônimos e nomes de fantasia. Fui atacado algumas vezes.
Disse o que tinha que dizer. Não peço desculpas.

Em 2010 celebrei em grande estilo os oitentas anos do querido amigo Dorian. Comemorei novamente o “Quixote com Rosas” e fiz uma bela homenagem aos fazedores da cultura potiguar em “Potyguarana”

Não vou fazer uma avaliação como no final de 2009. Estou mais triste do que antes. Fiquei frustrado por não conseguir celebrar o centenário de Joaquim Nabuco. Preparei-me, propus e não deu certo.
Lamentei ter perdido a peça de Joyce e de Shakespeare.
Lamentei mais ainda os beijos e gozos que não tive.
Viver é mais importante que fazer literatura.

2010 foi o ano de democracia e celebramos várias eleições. Da Cooperativa Cultural, passando pela eleição de reitor da UFRN ate a eleição presidencial e cameral. .

Nosso substantivoplural mudou para melhor. Muitos chegaram e sumiram. A poesia melhorou em conteúdo e visibilidade, mas também mente.
Não espere nada melhor em 2011. Eu também não espero. A tendência é ficarmos cada vez mais só.
Quando morre um poeta tudo fica mais triste. Foi assim que terminou 2010.

Repentinamente fez-se silencio. Foi assim entre sombras e vazios que percorri essa estrada. Foi tropeçando nas pedras portuguesas que andei nas ruas de Natal. Foi esperando você falar que esperei.

Como um grande amante do samba, fiquei feliz com a celebração do centenário de Noel Rosa. É com samba que termino essas palavras ditas com dificuldade e com lealdade.

Lealdade / Wilson Batista e Haroldo Lobo

Serei, serei leal contigo
Quando eu cansar dos teus beijos, te digo
E tu também liberdade terás
Pra quando quiseres bater a porta
Sem olhar pra trás

Se o teu corpo cansar dos meus braços
Se o teu ouvido cansar da minha voz
Quando os teus olhos cansarem dos meus olhos
Não é preciso haver falsidade entre nós.

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Comments

There are 4 comments for this article
  1. Ednar Andrade
    Ednar Andrade 30 de Dezembro de 2010 17:18

    Da Mata, querido, acredito que por aqui ainda teremos alguns debates, algumas contradições, mas com a certeza de que continuaremos felizes nesta nossa casa, singular casa que nos acolhe e nos dá o aconchego da nossa sala.

    Meu abraço e .o meu carinho por ti.

  2. cezar alves 30 de Dezembro de 2010 22:20

    Nossa!, que imenso prazer proporciona a leitura de suas palavras soltas e pregadas ao mesmo tempo.

    Compreendo-as. Faço das duas palavras minhas para me despedir de 2010. São bem ditas, escritas…

    Lamento somente não ter oportunidade de escutá-lo e/ou ler outros textos com teor tão agradável, enriquecedor, poético…quanto.

    O tempo e o destino tem sido crueis comigo. Não me deram o dom de cantar para cantar seus versos e ganhar dinheiro, apenas para ler e ficar rico e/ou como diz o povo lá de Catolé do Rocha/PB, de alma lavada.

    Tive o prazer e conversar com vc durante algumas horas no Real Botequim, em Mossoro.

    Cezar Alves, Mossoró.

  3. Cleusirene 30 de Dezembro de 2010 22:29

    Li esta reportagem por indicação do meu irmão Cezar Alves no twitter. Agora sei o motivo da indicação..excelente texto! Fiquei sua fã..PARABENS!

  4. João da Mata
    João da Mata 30 de Dezembro de 2010 23:05

    Muito obrigado Cesar, Cleusirene e Ednar

    Um belo momento de 2010 foi a minha ida a Mossoró apresentar o Quixote, quando tive oportunidade de conhecer os amigos do Jornal de Fato. Foi muito legal mesmo, obrigado pela acolhida.
    Um forte abraço para voces.

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