Dez anos de Jovens Escribas: semeando palavras e colhendo leitores

A geração do publicitário e cronista Carlos Fialho é protagonista de movimentos culturais duradouros. Festivais de música (Dosol e Mada) e grupos de teatro (como o Clowns de Shakespeare) prosperaram há mais de uma década e hoje já atrai nova legião de seguidores. No campo da literatura, Fialho e outros escritores da época fundaram a editora Jovens Escribas – uma aposta ousada para um cenário desolador da literatura local.

Após 60 livros lançados, o Jovens Escribas quer muito mais. Parece ter semeado o gosto pela literatura durante uma década de atividade para colher frutos agora. Carlos Fialho é um entusiasta da literatura local e acredita piamente nela. Não à toa. A editora tem lançado novos escritores mesclados a nomes respeitados do cenário nacional e tem gerado boa receita, inclusive com excursões para lançar os títulos fora do Estado potiguar e firmar intercâmbio inédito com outras “praças”.

A fórmula parece fácil: convencer e vender. Mas a correnteza contrária data de décadas. Fialho concorda que o desconhecimento da literatura local persiste. “Vem de longa trajetória, da busca de identidade cultural pelo natalense. Seja com a literatura ou outras artes. Faço parte de uma geração de coletivos culturais que trabalha há vários anos para transformar essa realidade, por enquanto, desfavorável. Por enquanto!.”

Em dez anos de Jovens Escribas, Fialho sempre apostou no leitor comum. É ele quem faz girar a roda do mercado editorial fora do nicho intelectualizado. “A literatura abre veredas, independentemente da aridez crítica (ele cita Manoel Onofre, Carlão de Souza, Anchieta Fernandes, Alexandre Alves e o ‘heroico’ Thiago Gonzaga, entre os críticos). Mais tarde, as faculdades de Letras formarão críticos e eles classificarão tudo o que produzimos até agora”, acredita.

Novos projetos, novas ideias
E a produção vai de vento em popa. Após o recente sucesso do Ação Leitura, com mais de mil estudantes ao dia no Teatro Alberto Maranhão, mais visitas a escolas, bazar, etc, Carlos Fialho não para. Já marcou reunião com parceiros para tratar das ações para o resto do ano. Entre elas está a participação em editais nos quais já há projetos em processo de captação, a exemplo de uma revista literária, e outros que pretendem se inscrever.

Outra pretensão é imprimir nada menos que 60 livros em um ano (igualando o número dos 10 anos da editora Jovens Escribas). “Apenas” quinze foram lançados até hoje. E alguns desses já foram lançados em João Pessoa, Recife e Campina Grande. E ainda querem chegar ao Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre, com esses e os próximos lançamentos. O poeta marginal Chacal, por exemplo, quer realizar no Rio uma edição especial do CEP 20.000 dedicado aos Jovens Escribas.

A Editora também deve participar dos seguintes eventos: FLIPIPA, Feira do Livro de Mossoró, FLIQ, FIQ (MG), FLIPAUT (PIPA) e Comic-Con Experience (SP). Além de realizar, pela primeira vez, a experiência com financiamento coletivo. É mole?

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Wagner Vinicius Araujo Lemos 28 de maio de 2015 13:52

    Parabens Escritores.. Sou velhote, e literato. Mas, tenho uma alma plenamente jovem, e apoio essa iniciativa dos literatos engajados na cultura literária do Rio Grande do Norte, e do Brasil. Vamos ler, para criar nosso enredo de verdade e de instrução…Um abraço, Wagner Lemos.

  2. thiago gonzaga 20 de maio de 2015 22:26

    Importante demais o trabalho da Editora Jovens Escribas. Com certeza ela representa uma fase muito simbólica da nossa história literária.

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