Dia de Camões

O dia 10 de Junho é o dia de Camões, Dia de Portugal e das Comunidades de Língua Portuguesa. Camões é o maior poeta da língua portuguesa e nos deixou um hino de heroísmo e de beleza que narra o feito dos lusos em direção ás Índias “Viajando por Mares nunca D´Antes Navegados”.

O canto molhado camoniano deságua no Brasil e fecunda a nossa poesia. Poetas, como bem disse Celso Lafer (1984), constituem um auditório potencial do texto Camoniano, que nele podem encontrar a pulsão da poesia.
Todo o Poema é uma tradição e não creio que haja sinônimos, disse Borges.
Muitos poetas brasileiros deixaram-se inundar do Canto molhado que glorifica a raça portuguesa. O poeta Manoel Bandeira, escreve num sanatório na Suíça, um soneto que resume esse fascínio da pátria – irmã e herdeira da lírica camoniana.

A Camões / Manoel Bandeira

Quando nalma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil tristeza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza;
Poeta e soldado … Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.

Enquanto o fero canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá sem poetas nem soldados
A em que cantaste rudemente
As armas e os barãos assinalados

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 10 de junho de 2011 12:10

    Caro Danclads,

    Concordo com voce. Esquecendo o que foi feito com o estado novo e a terrível ditadura da Salazar, viva o 25 de Abril e a Revolução dos Cravos
    que ampliou o sentimento da pátria portuguesa para toda a comunidade lusa,
    dentro e fora de Portugal .
    E viva Zeca que compos o hino do 25 de Abril.
    Viva Camões e viva essa linda lingua que ele ajudou a consolidar num mesmo tronco

    Grândola Vila Morena / Zeca Afonso

    Grândola, vila morena
    Terra da fraternidade
    O povo é quem mais ordena
    Dentro de ti, ó cidade

    Dentro de ti, ó cidade
    O povo é quem mais ordena
    Terra da fraternidade
    Grândola, vila morena

    Em cada esquina, um amigo
    Em cada rosto, igualdade
    Grândola, vila morena
    Terra da fraternidade

    Terra da fraternidade
    Grândola, vila morena
    Em cada rosto, igualdade
    O povo é quem mais ordena

    À sombra duma azinheira
    Que já não sabia a idade
    Jurei ter por companheira
    Grândola, a tua vontade

    Grândola a tua vontade
    Jurei ter por companheira
    À sombra duma azinheira
    Que já não sabia a idade

  2. Danclads Lins de Andrade 10 de junho de 2011 11:49

    As conquistas ultramarinas portuguesas, narradas em “Os Lusíadas”, por Camões é a verdadeira saga do povo português.

    Tal como as sagas dos sitas, da Suécia, a Kalevala, da Finlândia, ou mesmo a Ilíada, dos gregos, “Os Lusíadas”tiveram o mérito foi ter difundido o sentimento de união do povo luso e se converteu em fator de unidade nacional.

    Talvez, nós, nesta banda de cá do Atlântico, precisemos fazer a nossa saga e infundir um sentimento perene de nacionalidade, para não sermos patriotas quadrienais (de copa em copa ou de eleição em eleição…)…

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