“Dia de Iemanjá”, de Wescley Gama

Na praia do meio

a noite desce quente

e as ondas

arrebentam com

força próximo ao

calçadão

onde vendedores

ambulantes

oferecem pipoca

doce

e espetinhos de asa

de frango.

 

Alguns atravessam

a Ponte Newton

Navarro, olhando no

horizonte longo o

mar grande se

perdendo lá na

frente,

perguntado-se pra 

quê serve tudo isso,

pra quê serve a vida,

enquanto um casal

cheio de adrenalina

faz rapel negativo na

mesma ponte

a vinte metros de

altura

e as crianças,

suas crias,

gritam lá de baixo,

agitadas com essa

possibilidade de vida.

 

A cidade corre e não

descansa nunca.

Corre pra todos os

lados

e não chega a lugar

nenhum.

Entro num uber e

desapareço no meio

da selva de concreto

e corações.

 

É dia de iemanjá

e apesar dos

presságios

e ventos contrários

coloco toda minha

esperança em suas

mãos.

 

Iemanjá,

rainha que veio do

mar,

você que levou Zila

Mamede nos traga

bons fluídos pra

segurar a onda de

viver.

 

Dai-nos a docilidade

de sonhar e

agradecer.

 

Wescley Gama Praia do Meio, Natal/RN. Em algum 02 de fevereiro dos anos 10 do século XXI.

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