Dia de Santos Reis. Dia da Epifania

Foto: Canindé Soares

Epifania era para os gregos a manifestação do sagrado. O processo pelo
qual a mente limitada humana poderia se comunicar com os mundos
superiores. Ainda hoje esse dia é muito comemorado na terra onde tudo
começou. “Se a civilização grega nunca tivesse existido nunca nos teríamos
tornado plenamente conscientes.” (W. H. Auden). Para os cristãos o dia
seis de janeiro – o Dia de Reis – o dia em que os Reis Magos visitam o
menino Jesus recém-nascido. Para os orientais essa é a manifestação da
Epifania – a Festa da Luz.

Adeus, adeus para o ano. Se ainda vivo for. “A nossa lapinha já se
queimou”. Apagam-se as luzes. A festa acabou. A última festa do ciclo
natalino é a de Santos Reis.

Em Natal, no aprazível bairro de Santos Reis, é dia de procissão. A Capela
do Forte foi a primeira igreja ou santuário do RN. As imagens originais
chegaram a Natal por volta de 1755 – enviadas pelo rei de Portugal Dom
José. Não saem na procissão do dia 06 de janeiro e ficam abrigadas numa
redoma no belo altar capela de Santos Reis.

Na homilia na Igreja de Santos Reis onde se encontra um belo presépio, o
padre pergunta:

– quem deseja ir para o céu?

A maioria responde que sim. Para depois o padre arrematar:

– quem quer morrer? E por que o céu não pode ser aqui? Pergunto com meus
botões olhando um casal de pombinhos. Lembro do professor Melquíades que
lá morou muito tempo.

Lembro da bela música cantada por Tim Maia: Hoje é dia de Santos Reis.

As pessoas participam das novenas desde o dia 28 e ficam com saudades,
gosto da procissão que sai no último dia pelas ruas das Rocas, Areia Preta
e Santos Reis. E nem sou tão religioso assim, mas tenho o sentimento do
sagrado que vai além das religiões. Assisto na pracinha a ultima novena.

Gosto dos Cantos. Adoro aquele presépio da igreja dos Santos Reis. São os
três Reis Magos mais belos de Natal.

Do lado de fora da igreja comprei os Reis Magos bem populares. Feitos de
areia e gesso. Comprei também aqueles barquinhos de papel colorido com o
interior de farinha de amendoim e castanhas. Raiva, grude, bolo preto,
tapioca tudo e muito mais você encontra nas barraquinhas. Bonecas
artesanais. Bolas grandes e outros brinquedos.

O parque de diversão. As barracas de tiro (não gosto) e pouca gente. A
festa ainda mantém a sua alegria e devoção. O churrasquinho alimenta os
festeiros. Nas vizinhanças da igreja os jovens improvisam festas ao som de
carro. É hora de partir. Até o ano. Seja presente.

Oração aos Santos Reis.

Ó Deus, Pai todo poderoso, que enviastes o vosso Filho bem amado a todos
os povos, autor da única salvação com vossa sabedoria e vossa paz. Daí-nos
a graça de sermos guiados pela mesma estrela que conduziu os Magos, na fé,
ao encontro do Senhor. Para que possamos prestar-vos o devido culto de
louvor e gratidão, a homenagem de nosso coração, nesse mundo, e sermos num
mundo vindouro, merecedores de contemplar-vos, como beleza inefável e luz
inextinguível. Isto vos pedimos, por Jesus Cristo, vosso Filho e único
Salvador, na unidade do espírito Santo. Amém

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Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 6 de janeiro de 2015 10:55

    Obrigado Maria Bacci, pelos comentários. Epifania e despedida. Adeus, adeus para o ano. Se ainda vivo for. “A nossa lapinha já se
    queimou”. Apagam-se as luzes. A festa acabou. A última festa do ciclo
    natalino é a de Santos Reis.

    Até para o ano,

    Beijos

  2. João da Mata 6 de janeiro de 2015 0:44

    Estive em Santo Reis mais uma vez. Gosto sempre. Comprei os barquinhos de papel com castanha. Dancei ao som das nordestinas. Arretadas. Vi os bêbados rolando na areia. Pedintes. Desfiles de minissaias. E a barraca da Tania que está formando dois filhos, um médico e outro engenheiro.

  3. Maria Aparecida Anunciata Bacci 5 de janeiro de 2015 18:35

    Muito interessante e esclarecedor, o texto nos mostra que a Epifania tem origem nos gregos,cuja manifestação está ligado ao sagrado. No mundo Cristão é dia seis, Dia do Reis Magos, e para aos orientais é a festa da Luz. Em Natal RN,a Festa do Santos Reis, tem sua manifestação de acordo com os princípios cristão, como acredito que aconteça no resto do país. Mas e muito interessante como o autor coloca a festa na comunidade, que é a envolve em manifestação religiosa cristã, e ao mesmo tempo ocorre muitos eventos populares que trazem a marca do povo de cada local onde ela ocorre.

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