Dia Mundial do Livro

ao amigo Roosevelt Pimenta

Natal, 23 de Abril de 2011.

Foi num dia 23 de abril que há trezentos e noventa e cinco anos faleceu Miguel de Cervantes Saavedra, o mais célebre escritor espanhol e criador de um dos livros mais importantes da literatura mundial, O Dom Quixote de la Mancha, que há mais de quatrocentos anos vem encantando gerações com suas batalhas contra os moinhos de vento, sua amizade com o seu fiel escudeiro Sancho Pança e seu amor por Dulcinéia del Toboso.

Exposição 405 Anos do Quixote – Mossoró- RN

Foi assim nesse dia quando comemoramos mais um dia mundial do livro que faleceu o bailarino e coreógrafo Roosevelt Pimenta, um Sancho Pança a serviço da arte de circunavegar por espaços e gestos que encantou sua cidade Natal. Obrigado meu amigo por nos emprestar beleza em forma de dança e grandes coreografias. Quando penso em você – Sancho – lembro de Jesiel Figueredo – seu partner e amigo Quixote. Duas faces da mesma moeda e dois grandes protagonistas da cena cultural do nosso estado.

Quando lembro de você penso numa insustentável leveza que desafia a gravidade. Seu corpo era para ficar no chão, mas, você voou e encantou. Você encenou e o TAM apresentou muitas vezes, um dos grandes balés clássicos de sempre: o “Dom Quixote”.

Permita-me amigo fazer uma outra homenagem nesse dia 23 de 2011. Foi há cem anos que nasceu San Tiago Dantas. Escritor, jurista e político, escreveu um belo livro sobre o nosso amado amigo de todas as horas. No 4º centenário de nascimento de Miguel de Cervantes ele escreveu o D. Quixote, um apólogo da alma ocidental. Título feliz para uma tese tão bem desenvolvida.

O Dom Quixote crê em si mesmo e enfrenta moinhos de vento como você enfrentou galgando e preenchendo espaços temidos por tantos medrosos. Um herói puro muitas vezes a serviço dos chistes dos Duques em suas torres e palácios miserandos. Montemos amigo Roosevelt o nosso Clavilenho e voemos pelos céus de anil e amares. Deixem eles rir. Entremos na cova de Montesinos e busquemos o Erebo.

Ate mais meu querido. Muito obrigado por tudo.

“Dom Quixote encarna a tragédia do homem superior que não consegue se realizar plenamente como sonhou”. Jorge Guillén

“D. Q. nos ensina que a vida é uma pergunta sem resposta, mas é preciso crer na dignidade da pergunta” Tenessee Williams

Sonha Alonso Quijano

El hombre se despierta de un incierto
Sueño de alfanjes y de campo llano
Y se toca la barba con la mano
Y se pregunta si está herido o muerto.
No lo perseguirán los hechiceros
que han jurado su mal bajo la luna?
Nada. Apenas el frío. Apenas una
Dolencia de sus años postrimeros.
El hidalgo fue un sueño de Cervantes
Y don Quijote un sueño del hidalgo.
El doble sueño los confunde y algo
está pasnado que pasó mucho antes.
Quijano duerme y sueña. Una batalla:
Los mares de Lepanto y la metralla.

Jorge Luis Borges

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