Dia Nacional do Livro Infantil

No último dia 18, foi celebrado o nascimento de Monteiro Lobato (1882 – 1948). E, devido a isso, através da Lei nº 10.402, de 08 de janeiro 2002, a data passou a ser comemorada como o Dia Nacional do Livro Infantil.  

Como autor de literatura infantil, tenho algumas afinidades com esse autor, considerado o pai da literatura infantil. Ambos somos arianos e eu nasci no mesmo ano em que ele deixava esse plano para abrir novos sítios do Pica-Pau entre as estrelas (1948).

Lobato é um dos autores mais celebrados em nossa literatura pelo extraordinário legado que nos deixou na literatura infantil e infanto-juvenil.

O Sítio do Pica-pau Amarelo é uma de suas obras mais conhecidas e mais lidas pelo país afora. A literatura infantil brasileira muito deve a ele, que abriu caminhos para muitos autores que brilharam e para outros que continuam a brilhar nesse gênero.

Aproveito para falar de alguns desses autores que tive o privilégio de conhecer de perto, como o mineiro Bartolomeu Campos de Queirós e o meu padrinho literário Elias José, também de Minas Gerais.

Ambos estiveram em Natal por ocasião de eventos do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER/RN), um dos mais atuantes do país, com inúmeras edições durante vários anos por todo o estado do RN.


Bartolomeu Campos de Queirós (1944-2012) tem mais de 40 livros publicados; ele venceu os prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura

Autores brasileiros

Bartolomeu Campos de Queirós deixou-nos também uma obra grandiosa, estudada nos meios acadêmicos e celebrada como literatura de primeira grandeza. Dentre os seus mais de 60 livros, podemos citar O peixe e o pássaro (sua primeira obra), Indez, Mário, Ciganos, Onde tem bruxa tem fada, Vermelho amargo.

Escrevi um artigo sobre este autor, publicado no Recanto das Letras (https://www.recantodasletras.com.br/artigos/655539).

Nessa época, o autor ainda não tinha escrito o seu premiado livro O olho de vidro do meu avô, mas ele chegou a mencionar esse projeto de escrever tal obra, o que acabou acontecendo anos depois.

Elias José, mineiro de Guaxupé, também esteve em Natal e recebi dele algumas lições preciosas, as quais viabilizaram o meu projeto de estrear na literatura infantil, em 2002, com o livro A marreca de Rebeca.

Ele foi um dos autores mais produtivos nesse gênero infantil, e tem uma infinidade de livros de poemas e de prosa para o público infantil e infanto-juvenil que continuam a ser editados e reimpressos.

Chegou a receber o prêmio Jabuti, em 1974, além de inúmeros outros prêmios. Em Guaxupé/MG, onde o autor passou grande parte de sua vida, funciona hoje o Instituto Elias José, que procura manter viva a memória de suas obras. 

Um dos seus livros mais celebrados é o Caixa Mágica de Surpresa. Outras obras: Bicho que te quero livre, A vida em pequenas doses, O homem que perdeu o seu mar, Bicho de pena provoca amor e pena, Primeiras lições de amor, dentre tantos outras.

Filha de judeus austríacos, a carioca
Sylvia Orthof Gostkorzewicz escrevia livros e peças; ela ganhou o Jabuti de literatura e o Molière de teatro

Autoras brasileiras

Cito também duas autoras de grande talento: Sylvia Orthof e Ângela Lago.

Sylvia Orthof foi a criadora da Fada Fofa e de muitas histórias, a maioria ilustrada por ela. Alguns dos seus livros: Se a memória não me falha, A velhota cambalhota, Saracotico no céu, Guardachuvando doideiras, dentre outros, sempre bem-humorados, sua marca registrada.

Ângela Lago, que tive oportunidade de conhecer pessoalmente aqui em Natal, escritora e ilustradora, Cito como exemplo o seu premiado ABC Doido e o Tampinha (livro que guardo com todo o carinho, pois foi autografado para mim no ano de 2008).

Tampinha é uma história sobre as aventuras de uma menina pequena, que usava uma tampinha de garrafa na cabeça para ficar um pouco mais pesada.

Mesmo assim, ela voava longe toda vez que alguém espirrava perto dela. Cena de rua, Sete histórias para sacudir o esqueleto, O bicho folharal, mais alguns de seus livros.

A literatura infantil brasileira é riquíssima, tendo duas autoras que receberam a maior premiação internacional, o Hans Christian Andersen: Ana Maria Machado e Lygia Bojunga Nunes.

Tive grande satisfação em conhecê-las pessoalmente, bem como estar com o ilustrador brasileiro Roger Mello, que recebeu essa mesma distinção. Felizmente, esses três estão em franca produção.

Dia Nacional do Livro Infantil – Convite

O espaço aqui seria pequeno para que a gente continuasse enumerando autores nacionais de grande qualidade, com José Paulo Paes, que já se foi e nos deixou uma obra magistral, como o seu premiadíssimo Poemas para brincar. O grande brinquedo desse autor eram mesmo as palavras.

Finalizo este texto com o poema dele “Convite”:

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião…

E fica o convite para que todos possam festejar o livro infantil, procurando ler sempre, para seus filhos e/ou netos, obras desses autores citados e de tantos outros que continuam a seguir a trilha aberta pelo saudoso Monteiro Lobato.

Viva o livro nacional infantil!!!

Jornalista, escritor e poeta. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 2 comments for this article
  1. José de Castro 22 de Abril de 2019 21:47

    Tenho grande alegria em escrever livros para crianças e para adolescentes. O prazer da leitura deve ser estimulado nas crianças desde a mais tenra infância. Desde a minha estreia na literatura infantil com A marreca de Rebeca, já se passaram 17 anos. Agora, com 11 títulos, entre infantis e juvenis, continuo a colher os frutos de leituras e releituras sucessivas da minha obra, um pingo no oceano dessa rica literatura. Felizmente, no Rio Grande do Norte este gênero conta atualmente com vários autores, como Jania Souza, Junior Dalberto, Drika Duarte, Tereza Custódio, Diógenes da Cunha Lima, dentre tantos outros. Que venham novos livros. Que todos nós continuemos a nos encantar com obras como as que Monteiro Lobato nos legou…Viva o livro! Viva a literatura infantil.

  2. Tereza Custodio 24 de Abril de 2019 0:11

    Os leitores infantis tem muito a ganhar com a vasta obra de José de Castro.

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