Diário de Natal

{O escritor e crítico literário Fábio Lucas enviou correspondência ao poeta Paulo de Tarso Correia de Melo, comentando o livro Diário de Natal, que reproduzimos abaixo}.

Por Fábio Lucas

Caro Paulo de Tarso Correia de Melo:

Você não imagina quanto me agradou a leitura do Diário de Natal (Mossoró: Sarau das Letras, 2013). Você se instalou em outro patamar da poesia. Deu assento à prosa-narrativa, com sua ordem causal-temporal, seus maneirismos, tudo submetido à versificação e, principalmente, a um olhar crítico-satírico, extraindo do universo jornalístico e seu percurso enfadonho, repetitivo, loquaz e retoricamente redundante e sensacionalista, o lado cômico, fronteiro do ridículo. Desde o noticiário até a publicidade passam pela ordem com que você organizou a motivação do Diário de Natal, a que não faltam o fator dramático e o peso histórico. A atmosfera lírica comove o leitor, quando as personagens são maiores que o ambiente. Exemplo: o poema “Artes e Espetáculos – Artes Plásticas, louvor” (ob. cit., p. 33). Por detrás da exaltação das artes e ofícios populares, não deixa de comparecer a alta ciência (teoria quântica) e o elogio dos grandes artistas (“Sete Sonetos para Sebastião Salgado”, ob. cit., p. 37). No setor “Turismo e Viagens”, o poema “Do real maravilhoso” contempla as proezas memoráveis do ser humano: “Os jardins suspensos/ de Babilônia/ perfumam a insônia”. (ob. cit., p. 65)

E não nos esqueçamos do projeto gráfico e das ilustrações de Augusto Paiva. Por tudo isso, caro Paulo de Tarso Correia de Melo, agradeço-lhe a oferta de tão bela obra e formulo votos de que sua obra seguinte mantenha o nível e a beleza deste Diário de Natal.

Abraço amigo de

Fábio Lucas

 

 

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