Dias modernos

Muito tempo sem leitura me deixa desnorteado; sem rumo. Os dias parecem mais confusos. Me falta alguém – os livros! – para me explicar alguns porquês. A necessidade do “ganha-pão” nos empurra contra o ócio necessário ao saber; à contemplação. Filmes hollywoodianos, Paulo Coelho e demais teorias de auto-ajuda trazem fórmulas fáceis de sucesso. Prefiro o realismo do cinema italiano ou das obras de Hemingway. Se O Velho e o Mar fosse filme americano, o sofrido Santiago havia de achar um tesouro escondido no mar. Prefiro a dureza da realidade, embora alimente também a ilusão necessária à vida. Por hora, 15 horas do dia completamente preenchidos de trabalho. É a necessidade, sem escapatória para “correr atrás do seu sonho”. E meu sonho seria apenas mais tempo para leitura diária; para os livros empilhados na estante ainda virgens. Futuros amigos autores, talvez. Ora, somos solitários. Solicitei explicação para o conteúdo de um livro de Fitzgerald, e o escritor Fernando Monteiro foi certeiro em um pormenor: “Nascemos e morremos sós – essa é a verdade”. Que seja na companhia do saber, então.

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