Discutindo a relação

O Cavaleiro Solitário, o herói criado por George Washington Trendle, e seu amigo índio Tonto

Por Tácito Costa

Algumas relações complicadas se arrastam por anos e às vezes nem os melhores psicólogos, padre ou pastor, pai de santo, rezadeira, mandingueiros em geral conseguem resolver. Morremos e as levamos para ir resolvendo nas próximas reencarnações. Penso que seja o caso das minhas com as redes sociais.

Continuo no Twitter e no Facebook, mas só apareço pra responder alguma mensagem encaminhada diretamente pra mim. No Facebook nunca fui de fato um participante ativo, no máximo dou uma olhada por dia, quando não estou ocupado demais. Não consigo me interessar. De cem coisas que olho, muitas chamam-me a atenção, por razões variadas, mas apenas uma ou duas são de fatos importantes pra mim.

Recentemente a jornalista Cora Rónai fechou seu blog e se transferiu para o Facebook.  Há uns dois anos, quando se previu a decadência dos blogs e a migração em massa dos blogueiros para o Facebook, eu cheguei a pensar que talvez o meu futuro também fosse trilhar esse caminho.  Decidi esperar pra ver aonde aquilo ia desaguar e hoje vejo que os blogs sobreviveram, sobretudo aqueles que exploram nichos (fãs de Nelson Ned, adoradores de pulgas, vítimas de espinhela caída, reumatismo e mau olhado, putaria, picaretagem, poesia e arte…).

Bem antes do Facebook se tornar o queridinho de todos, eu já tinha experimentado o Orkut, que funciona ou funcionava (nunca mais ouvi falar!) de forma parecida. Aderi, tardiamente, e desisti tempos depois. Sempre experimento essas novidades virtuais pra conhecê-las melhor e não me deixar levar pelo preconceito.

O que mais me incomoda nesses tipos de redes sociais é a excessiva e por vezes despudorada e rocambolesca exposição da privacidade. Publicam coisas que até Deus dúvida.

Acredito que minha perdição foi aceitar como “amigo” um monte de conhecidos. O que fiz pra evitar cobranças e constrangimentos. O resultado é que aparece na minha timeline todo tipo de mensagem: edificantes, tiradas de livros de auto-ajuda, orações, conselhos, simpatias, orações para amarrar inimigos e fechar o corpo, horóscopo e muitos convites pra jogar uns jogos que nunca ouvir falar. Nesse terreno ainda estou no tempo do jogo de bozó e porrinha.

Do Twitter, que é uma boa ferramenta jornalística, já fui um seguidor ativo. Mas abusei e dei uma parada, ultimamente passo semanas sem acessar. Acredito que se não fosse o SP eu participaria mais. Mas não tenho tempo para dedicar ao SP, Facebook e Twitter. No fundo, o Substantivo é uma rede social, com um mediador, e em grande parte voltado para cultura e arte, logo junta mais pessoas com afinidades próximas.

Apesar de tudo, não penso em sair do Facebook, quem quiser pode me tirar do seu círculo de “amigos”, não ficarei nem um pouco chateado (tem gente que não aceita pessoas que não “interagem” ). Pra não dizer que não gosto de nada dessa rede social, acho legal ela me lembrar, via e-mail, dos aniversários de algumas pessoas e permitir que outras, de quem não tenho notícias há séculos, me contatem, como aconteceu recentemente com uma pessoa com a qual convivi uns meses há 30 anos, numa estada curta no Pará, a minha desgraça foi que não lembrei de jeito nenhum dessa figura e fui obrigado a reconhecer isso, cheio de dedos – rs.

Comments

There are 3 comments for this article
  1. Lívio Oliveira 27 de Setembro de 2013 12:55

    Texto saboroso e que faz refletir, como sempre, caro Tácito. E o bom humor está na medida exata, com bom gosto.

  2. Denise Araujo 27 de Setembro de 2013 13:16

    Este título ficou ótimo, Tácito. O que arrebatou-me para as redes sociais foi justamente a possibilidade de socialização (mesmo que virtual) com amigos distantes. Havia acabado de fazer um curso do trabalho em outro Estado e meus novos amigos de lá quase obrigaram-me a abrir uma conta no orkut. No facebook, entre tantas besteiras, boas possibilidades: publicidade profissional, notícias dos amigos distantes, páginas culturais e ainda participação em grupos privados (o que para mim tem sido fundamental como ferramenta de comunicação entre colegas de um curso). Já a ferramenta de bate-papo de fato não me conquistou. Usei-a até o dia em que comprovei não ser nada interessante para mim. Ainda prefiro a velha privacidade.

  3. Tânia Costa 29 de Setembro de 2013 13:53

    Título mais que sugestivo!
    Senso de humor é fundamental.
    DR? Dizem as más línguas que assusta os homens, enquanto que as mulheres adoram. Será?

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