Do bondinho à geração paz e amor

Pena as fotos pertencerem a um formato impublicável no blogspot. O material é muito bacana. Quatro imagens estão na edição de hoje do DN. O livro parece muitíssimo interessante.

Natal foi radiografada desde a sua época preto e branco, de cenários ainda mais provincianos, até o colorido psicodélico da década de 70. E nesse carrossel do tempo estão os primeiros bondinhos, o ensaio revolucionário com a Intentona Comunista de 1935, a invasão americana durante a 2ª Grande Guerra, até a fase pop-indignada do yeah, yeah, yeah, provocada pela beatlemania e toda uma mudança de comportamento juvenil, desafogada na geração paz e amor. Esse percurso de seis décadas foi transferido em palavras e fotografias no livro Dos Bondes ao Hippie Drive-In (Editora UFRN, 500 pág, R$ 40). O lançamento será às 19h desta quinta-feira, no Clube de Engenharia (Rádio Amador), no Tirol.

Os irmãos-autores – Carlos e Fred Rossiter – percorreram o período de 1915 até 1975 pelas vivências, recordações e registros documentais e fotográfico do pai João Sizenando Pereira Filho, que morreu com quase um século de vida. O resto partiu do mergulho nas lembranças adolescentes dos irmãos nas revolucionárias décadas de 60 e 70. O trabalho também esteve calcado em pesquisas e entrevistas. Tudo para montar a arquitetura de episódios curiosos e hábitos marcantes da história de Natal como o primeiro bonde, a primeira banda de rock, o primeiro biquíni… E tudo superposto à contextualização histórica do período. “Nossa intenção foi produzir um livro leve, curioso e distinto em relação a outras publicações sobre Natal”, afirmou Fred Rossiter.

Fred e Carlos procuraram amigos distantes 40 anos e até colegas do jardim de infância para arquitetar tijolo a tijolo a montagem de fatos pioneiros da cidade, como a primeira exibição de filme em Natal; a mudança dos bondes puxados a burro aos bondes elétricos; as peripécias da juventude natalense nos anos 1920; a inauguração do Estádio Juvenal Lamartine e do Cais do Porto; a Natal de Djalma Maranhão e os estudantes do Atheneu; a infância e juventude dos autores na Cidade Alta e Petrópolis; os festivais de MPB em Natal; os embalos do ABC; e do surgimento da boate Hippie Drive-In, na então longínqua estrada de Ponta Negra. Tudo dividido em sete capítulos e recheado de crônicas e 400 fotografias raras.

No capítulo Natal Pop, os autores destacam a geração ‘paz e amor’, o primeiro biquíni na cidade… “Era quase um maiô”. Também a Sociedade Cultural Brasil – Estados Unidos (SCBEU), “o primeiro curso de inglês instalado em Natal. À época, os jovens se interessaram pela língua inglesa para entender a músicas dos Beatles. Corria o boato que os diretores da escola eram espiões do FBI em Natal”, lembra Fred. Ainda no capítulo, a primeira banda de rock de Natal, financiada por um irmão Marista: os The Shouters. O título foi influência direta do clássico Twist and Shout, interpretado pelo quarteto de Liverpool. Amiga dos integrantes da banda, a estudante Ivone Lira, “a primeira mulher a possuir uma guitarra em Natal. Hoje ela é dona do restaurante Talher”, segundo Fred.

“Voltamos também aos anos 60, tempo das tanajuras espetadas pelo rabo; dos ‘lacerdinhas’ nos pés de fícus que nos atazanavam os olhos; das séries do Cinema Rex, de Elvis Presley no Rio Grande. Tempo dos ‘aluizistas’, dos ‘dinartistas’, do Programa ‘De pé no chão também se aprende a ler’ e dos nossos maiores temores infantis: a viúva Machado e Maria ‘Mulamanca’”, relata o autor. E recomenda: “Quem conheceu Jerônimo o Herói do Sertão, o Cinema Poti, as tartarugas da Praça Pedro Velho, o Sebo de Cazuza, os bailes no ABC, as ‘Anastomoses’ no América, o ‘Seu Talão vale um Milhão’, a loja de discos de Helisom, os gibis e peladas de rua, a Rita Loura, certamente não deixarão de se emocionar”.

Dos Bondes ao Hippie Drive-In
Data e hora: Quinta-feira, às 19h
Onde: Clube de Engenharia – Rádio Amador (Av. Rodrigues Alves – Tirol)
Quanto: R$ 40
Contatos: Fred Rossiter (fredrossiter@uol.com.br) ou 9401-4550.

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