Do capitalismo infeliz

Trecho da entrevista com Gianni Vattimo publicada na revista Cult. O italiano de 68 anos é formado em Filosofia. Fez especialização na Alemanha. Autor de O fim da modernidade e organizador, com Derrida, da coletânea A religião, publicou também A sociedade transparente, entre outras obras, algumas inéditas no Brasil. Vattimo foi deputado no Parlamento Europeu, viaja pelo mundo proferindo palestras, sempre para grandes platéias, lotadas, e escreve em jornais e revistas.

CULT – Quais são as conseqüências da angústia e da solidão? A humanidade está desiludida?
G. V. – Não saberia dizê-lo sem incertezas. Hoje nós falamos da humanidade de maneira muito mais fundamentada do que foi possível falar no passado; conhecemos mais culturas, tipos de sociedade, ética. E, pelo que sabemos, a modernização tem produzido mais dificuldades do que tem trazido soluções em muitas áreas do planeta. Assim, a globalização, sobre a qual se gasta tanta retórica, tem, na realidade, aumentado a distância entre o rico e o pobre, e parece dar razão a Karl Marx sobre a difusão da pobreza e a progressiva proletarização. Um ditado, que não sei bem de onde vem, ressoa: os Estados Unidos têm exportado a infelicidade em todo o mundo. Quando se pensa no custo-benefício da competitividade e no desfrute que comporta o desenvolvimento, devemos reconhecer que este ditado é verdadeiro. O capitalismo é, em grande parte, responsável por esta montanha de infelicidade.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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