Do Carnaval Multicultural 2014

A análise é um pouco superficial posto que frequentei, claro, apenas alguns pólos em algumas noites. Mas vejamos alguns fatos: a prefeitura saltou de R$ 500 mil para quase R$ 3 milhões o orçamento do carnaval, com boa parte de recursos privados e outra dos cofres estaduais. Trouxe atrações nacionais de peso e lotou os shows nos pólos de Ponta Negra (sexta e sábado, com Alceu e Morais) e Centro Histórico (domingo, com Mart’nália) – conferi in loco. Soube que a Redinha também esbarrotou de gente no domingo à noite com Elba. E meu amigo Rafa criticou o show do grupo Originais do Samba, que se apresentou nas Rocas.

A publicação de edital para definição das atrações (escolas, tribos, blocos e artistas da música) também foi inovadora. Minha concordância com as escolhas é outra história. Discordo da indicação direta de alguns artistas em detrimento a outros. Não que Khrystal ou Lane Cardoso não mereçam. Mas abre precedente para outros merecimentos, também. Então, que tal igualar direitos? No caso de Khrystal ainda se pode destacar sua participação no The Voice e a repercussão nacional única. Mas e Lane Cardoso? Por que não Pedro Mendes, que tem uma história singular na promoção do carnaval de Natal? Seria outra boa desculpa.

Muitos criticam a redução nos valores distribuídos pela Funcarte às agremiações carnavalescas. E houve, realmente. Mas ao fato cabem ponderações: apesar de trabalhadores, em maioria, honestos, das dificuldades enfrentadas para colocar o bloco na rua todos os anos, é notório que essas escolas – pelo menos as principais – são verdadeiros currais eleitorais de políticos. Então, entregar o ouro ao bandido é complicado. Bancar politicagem foge da inocência da folia de momo. E cair nesse tipo de esperteza política foge do perfil de Dácio e do Cadu Alves. E podem citar o jogo do bicho no Rio e coisitas mais. Mas são outros exemplos medíocres da mesma faceta.

Uma sugestão que acharia conveniente: embora 30 artistas locais tenham sido selecionados via edital e tiveram palco para mostrar seus talentos, acho que entre eles poderiam ser escolhidos quatro ou cinco com cachês melhores para abrir os shows nacionais. Esse escalonamento de cachês foi feito na definição dos blocos, mediante critérios de tradição, apelo popular, etc. Também poderia ser feito para a música. Seria excelente oportunidade para os artistas tocarem para um público de até 10 mil pessoas, como se viu em Ponta Negra. Tudo bem que há a preparação e troca de equipamentos no palco. Mas acho viável.

Essa é uma “geral” possível de se fazer sobre o evento. Há alguns detalhes, a exemplo de um neandertal com carro de som às alturas desses axés e Lepo Lepos, no meio do bloco As Raparigas, duelando com a orquestra de frevo – um desrespeito tremendo que poderia ser coibido com alguma fiscalização. O som dos shows de Alceu e Morais estava realmente muito fraco. Para um palco montado numa rua relativamente estreita para um show e um público daquele porte, poderia ser mais potente para quem ficou por trás pudesse ouvir melhor. No mais, um carnaval organizado – dentro do possível – e com potencial para crescer ainda mais.

De parabéns a Prefeitura e quem trabalhou no evento!

Minha homenagem aos 31 anos d'As Kengas e seu fundador, Lula Belmont

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