Do código Morse ao HTML5

Por Luis Peazê
NO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Reproduzido da Clínica Literária

Enquanto o modelo de mídia tradicional se arrasta indefinido, por mais de uma década, o modelo de mídia digital, ao contrário de arrastar-se voa, porém curiosamente com a mesma indefinição. Clínica Literária ouviu, com exclusividade, um especialista de peso que opera no centro nervoso da informação empresarial, não só numa das artérias mais nevrálgicas e vitais do mundo capitalista, New York, mas também no centro de um dos principais motores da notícia sobre negócios: Ninan Chacko, de 46 anos, CEO da PR Newswire, empresa líder de distribuição de press releases e soluções de inteligência de informação corporativa, de marcas e produtos.

As mídias impressas têm sofrido muito mais do que qualquer outra, como se sabe, sufocadas pelos três cantos de um triângulo bem bicudo: a) alto over head (custo do papel, equipamentos, obrigações patronais, custos fixos etc.); b) desnorteada pelos marcos regulatórios também incertos, do próprio jornalismo; c) e por conta da avalanche concorrência da enxurrada de novos meios desabando via internet, leia-se novas formas de comunicação e monetização.

Conteúdo e engajamento

Na manhã sem neve do Natal da Big Apple, Ninan Chacko atendeu nosso telefonema para uma rápida entrevista. Perguntado sobre como a PR Newswire vê este cenário de incertezas e rico de novidades, Chacko lembrou que antes a mídia buscava o dinheiro apenas através da propaganda, e, no caso do segmento PR, a informação era de apenas uma mão, de ida. Isto mudou completamente e afetou tanto a eficiência da remuneração da propaganda, quanto criou numerosas formas de alcançar a audiência com informação.

Segundo ele, “as abordagens de marketing hoje precisam lidar com um panorama imensamente mais amplo e fragmentado, o das mídias sociais, e da distinção do fazer online que permite o rastreamento de resultados, que por sua vez oportunizam ações. Isto é, se a pessoa lê um conteúdo, se interessa por uma parte do conteúdo, ela pode engajar-se com o próprio conteúdo e provocar ações próprias ou de terceiros. Neste contexto, os meios móveis se inserem como mecanismos poderosos de engajamento do consumidor, possibilitando o rastreamento dos seus interesses, as suas respostas, sua relação com o conteúdo, em situações que não existiam antes de sua existência, enquanto isso a propaganda online tem se tornado menos efetiva”.

Chacko vê uma reversão de interesse na mídia paga em relação aos meios disponíveis das mídias sociais e móveis, como formas de se chegar à audiência, atrair o seu interesse e ações potenciais. Contudo, ele não “vê uma forma substituindo a outra, mas as vê como um complemento mútuo, provavelmente indispensáveis”.

Segundo o CEO da PR Newswire, esta estaria navegando por sobre tudo isso “buscando canalizar a distribuição de conteúdo e soluções, incluindo as mídias sociais e móveis, num ambiente à parte da propaganda.”

HTML5

“Virtualmente – arrisca Chacko –, os dispositivos móveis e a febre dos aplicativos talvez sejam quase mais importantes do que as mídias sociais, porque o consumo de acesso a aplicativos móveis é mais globalizante do que qualquer mídia disponível.”

“O problema – conclui Chacko –, é que ninguém entendeu completamente ainda, incluindo a PR Newswire, como capturar a atenção dos grupos de indivíduos apropriadamente via mídias móveis, desde que, como se sabe, você pode ter desde um telefone celular comum, a um smartphone, iPad e iTablets, e as experiências de consumo e sensibilidade são diferentes de um para outro.”

Chacko infere que a tecnologia que permitirá tornar tudo isso mais poderoso ainda é algo parecido com o HTML5, que permitirá que os conteúdos trafeguem em todos os dispositivos sem os embaraços de hardware e software que presenciamos enquanto esse artigo é produzido. Talvez tudo mude da noite para o dia, mas ele “acha que mesmo o HTML5 ainda levará algum tempo para amadurecer”.

Ah, o Morse. É que, desde 1843, a UBM, empresa holding que adquiriu a PRNewswire em 1982, imprime o Jornal do Comércio, fundado por Samuel Morse em 1927, o criador do código Morse, o SMS daquela época, tão útil ainda hoje, quanto naquele tempo; seja por um mineiro preso no fundo de uma mina de ouro que desabara; seja por um submarino avariado no fundo do mar e inúmeras outras situações. Isso nos aconselha a acreditar, de uma vez por todas, que não é necessário abandonar uma invenção, só porque outra veio para melhorar as nossas vidas.

PR Newswire é líder global e provedora de plataforma de multimídias que permitem a profissionais de marketing, comunicadores corporativos, executivos e investidores alavancarem conteúdo que engaje suas audiências. Com 56 anos, é pioneira da indústria de distribuição comercial de notícias, hoje a PRN fornece soluções de ponta a ponta para produzir, otimizar conteúdo e atingir audiências específicas, para distribuição e mensuração de resultados através de todos as formas de mídia, incluindo as digitais, móveis e canais sociais. A PR Newswire opera com escritórios nas Américas, Europa, Oriente Médio, África e Australasia.

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[Luis Peazê é jornalista]

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